Paes reage à prisão de Márcio Canella com fuzil e ataca “tiktoker” que posa de “valentão” contra o crime

Eduardo Paes critica atuação política nas forças de segurança e o uso de fuzis por políticos após prisão de Márcio Canella.

O pré-candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, comentou a operação da Polícia Federal que resultou na prisão em flagrante do ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella, além do cumprimento de mandado de busca e apreensão contra o ex-secretário estadual de Polícia Civil, Marcus Amim.

Durante entrevista ao Canal do Tchao, Paes afirmou ter tomado conhecimento da operação pouco antes de participar do programa e reagiu à informação de que um fuzil calibre .556 foi encontrado no veículo de Canella. A declaração ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro e possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas.

“Eu tive informações quando eu estava chegando aqui, não tenho detalhes, soube que o deputado Canella, o ex-prefeito de Belford Roxo, foi preso porque estaria lá com o fuzil. Quem é que anda com o fuzil? Quem é que anda com o fuzil? Não é normal. Não é normal”, declarou Paes, questionando a posse de armamento de grosso calibre por figuras políticas.

Críticas à política de “barricada zero” e “acordos” com o crime

Na sequência, o ex-prefeito do Rio questionou o discurso de combate às barricadas adotado por adversários políticos. Ele sugeriu que a retirada dessas estruturas em determinados municípios teria ocorrido em razão de acordos com criminosos, contrastando com a situação da cidade do Rio de Janeiro, onde ele era prefeito.

“Que conversa é essa de barricada zero? Então a polícia só agia em Belford Roxo? Por que é cheio de barricada na cidade do Rio de Janeiro, onde eu era prefeito, e vou usar em São Gonçalo, onde o capitão Nelson, que é policial militar, é prefeito? É porque essa gente fez acordo para tirar a barricada. É óbvio que fez. Está na cara que fez”, afirmou Paes.

Ataque a “tiktoker” e “tchutchuca do Comando Vermelho”

Sem citar outros nomes, Eduardo Paes também criticou políticos que, segundo ele, adotam um discurso de enfrentamento ao crime nas redes sociais, mas sem ações efetivas. Ele classificou essas figuras como “tiktoker” e “tchutchuca do Comando Vermelho pagando de valentão”.

“Essa turma adora pousar em rede social, é tudo tiktoker. Tchutchuca do Comando Vermelho pagando de valentão. É tiro na cabecinha, aquelas fotos de fortão”, disse, ironizando a postura de alguns políticos em relação à segurança pública.

Propostas para a segurança pública: fim da influência política

Ao abordar suas propostas para a segurança pública, Paes afirmou que pretende reduzir a influência política sobre as forças policiais caso seja eleito governador. Segundo ele, policiais cedidos para gabinetes parlamentares deverão retornar às atividades operacionais.

“Todo deputado que me apoia nessa eleição, todos os deputados de oposição, e esses temem muito, sabem que vai acabar a farra. Essa quantidade de polícia, incluindo esse Amim, na Alerj, vai voltar todo mundo para trabalhar. Polícia tem que trabalhar na rua, defender o cidadão”, declarou.

Comando da segurança pública será do governador

O pré-candidato também afirmou que não permitirá indicações políticas para cargos estratégicos nas corporações policiais. Ele defende que o comando político das forças de segurança deve ser unicamente do governador do Estado, eleito democraticamente.

“Ninguém vai me ligar para nomear um comandante de batalhão, um delegado de polícia. Acabou essa história. O comando político das forças de segurança é de uma pessoa só, do governador de Estado, que é eleito. Portanto, tem que ter comando político numa democracia”, concluiu.

Limpatech