Operação na Maré gera bate-boca entre secretários estadual e municipal no Rio

Postagens feitas pelo secretário de saúde Daniel Soranz

A operação na Maré, realizada pela Polícia Civil nesta sexta-feira (26), na Zona Norte do Rio, não resultou apenas em confrontos armados e interrupções na Linha Amarela. O episódio também acirrou a tensão política entre integrantes do primeiro escalão dos governos estadual e municipal, com um novo bate-boca público entre secretários.

Durante coletiva na Cidade da Polícia, o secretário estadual de Polícia Civil, delegado z, foi questionado sobre os impactos da ação, que levou ao fechamento de quatro unidades de saúde na região. Ao comentar postagens do secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, que relatou “caos” e tiroteios próximos a clínicas da família, Curi disparou: “Esse secretário é um fanfarrão e um mentiroso. Ele deveria cuidar da área dele, dos hospitais e das unidades de saúde, em vez de politizar a questão da segurança pública.”

Em uma das postagens, Soranz exibiu vídeos de tiroteios e marcas de disparos perto da Clínica da Família Adib Jatene, afirmando: “Mais um dia de caos nas unidades de saúde. Tiroteio intenso na Maré.” A reação de Curi incluiu críticas à desordem urbana e à falta de controle da prefeitura em áreas dominadas pelo crime organizado: “Quem deixou chegar a esse ponto foi a desordem urbana, que é responsabilidade do município. A polícia atua nas consequências, não nas causas.”

Soranz rebateu as acusações, alegando que não é a falta de clínicas da família que fortalece o crime organizado. “A Maré tem 100% de cobertura de saúde básica. O que falta é a presença policial. A política de segurança é ineficiente e sem inteligência, e isso dá espaço ao crime organizado. Criticar isso é minha obrigação como secretário de saúde, porque lidamos diariamente com baleados nos hospitais”, afirmou.

O secretário municipal ainda destacou que o aumento de 30% nos atendimentos de vítimas de arma de fogo nas unidades de saúde da cidade demonstra a gravidade do problema. “Cuidar da saúde também é discutir políticas públicas de segurança. Não vou me intimidar com ataques e seguirei cobrando soluções”, completou.

Esse foi o segundo embate em pouco mais de uma semana entre as gestões estadual e municipal. No dia 18, após a invasão de milicianos ao Hospital Pedro II, em Santa Cruz, Soranz já havia criticado a política de segurança, o que gerou resposta dura do secretário estadual de Segurança, Victor Cesar, que o chamou de “mentiroso”.

Dados recentes da própria prefeitura, divulgados em relatório, apontam que clínicas da família e postos de saúde precisaram fechar 698 vezes desde o início do ano até setembro devido à violência armada.

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