A Operação da PF prende dono do banco Master em uma ação deflagrada nesta quarta-feira (18) para investigar um suposto esquema de criação e negociação de carteiras de crédito falsas dentro do Sistema Financeiro Nacional. O alvo principal é o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco, detido ao lado de outros investigados. A operação inclui mandados de prisão preventiva, temporária e diversas buscas, distribuídas por cinco estados.
Segundo a Polícia Federal, a investigação começou em 2024, após pedido do Ministério Público Federal, e identificou indícios de que uma instituição teria produzido carteiras de crédito sem garantias reais, repassando esses papéis a outro banco. Quando o Banco Central realizou uma fiscalização, esses títulos teriam sido substituídos por novos ativos, também sem avaliação técnica adequada, o que ampliou as suspeitas de irregularidades.
Os investigadores apontam indícios de crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária, formação de organização criminosa e uso de documentos contábeis irregulares. A ação também ocorre no mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e determinou a indisponibilidade de bens dos controladores e ex-administradores da instituição. A Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários também foi atingida pela medida.
A liquidação anuncia a nomeação da EFB Regimes Especiais de Empresas como responsável pelo processo, com Eduardo Felix Bianchini à frente da administração e da representação do banco. O BC ainda colocou o Banco Master Múltiplo sob regime de administração especial temporária.
O episódio marca mais um capítulo da crise envolvendo o Master. Na segunda-feira, a Fictor Holding Financeira anunciou a compra da instituição, dizendo ter se associado a investidores dos Emirados Árabes Unidos para fazer um aporte emergencial de R$ 3 bilhões. Em setembro, a PF já havia aberto um inquérito para investigar irregularidades na gestão do banco e na tentativa de venda ao BRB, negócio barrado pelo Banco Central.
A Operação Compliance Zero segue em andamento, com coleta de documentos e apreensões que podem esclarecer o alcance das fraudes e o envolvimento de outros operadores financeiros.














