Cotas no concurso CNU 2025 elevam participação de negros, indígenas e PcDs

Primeira fase do CNU

As cotas no concurso CNU 2025 estimulam uma presença expressiva de candidatos negros, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência entre os aprovados para a segunda fase do processo seletivo. Dos 42.499 inscritos que avançaram, 19.577 concorrem em modalidades de reserva de vagas, o que representa 46,06% do total. Os números foram divulgados pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos em parceria com a Fundação Getulio Vargas, banca responsável pelo certame.

Os resultados fazem parte da primeira etapa do CNU 2, cujas provas objetivas foram aplicadas em 5 de outubro. Agora, os classificados seguem para a prova discursiva marcada para 7 de dezembro. Entre os convocados, 14.651 se autodeclararam negros, 4.194 são pessoas com deficiência, 636 concorrem nas vagas para indígenas e 616 disputam as oportunidades reservadas a quilombolas. Uma mesma pessoa pode participar simultaneamente de diferentes modalidades, incluindo a ampla concorrência.

No CNU 2025, a política de ações afirmativas corresponde a 35% do total das 3.652 vagas ofertadas. Entre as inscrições homologadas, 252.596 candidatos concorrem pelo sistema de cotas. Somente o grupo de pessoas negras reuniu 210.882 inscritos, equivalente a 27,7% do universo geral de participantes. A reserva é aplicada sempre que o bloco temático possui número suficiente de vagas. Nos cargos de baixa oferta, o Ministério da Gestão recorreu a sorteios públicos para viabilizar o cumprimento das cotas.

O edital esclarece que um candidato pode concorrer e ser aprovado em mais de uma modalidade, assim como também na ampla concorrência. Para a segunda fase, o Ministério da Gestão publicou no Diário Oficial da União os editais de convocação de candidatos cotistas que precisam confirmar suas autodeclarações. Quem concorre como pessoa negra, indígena ou quilombola deve realizar essa etapa complementar, enquanto candidatos com deficiência passarão pelo Procedimento de Caracterização da Deficiência, mediante apresentação de documento de identificação no horário e local indicados individualmente.

Esta edição do concurso é a primeira a aplicar integralmente a Lei 15.142/2025, que ampliou a reserva de vagas para pessoas negras, estabeleceu cotas específicas para indígenas e quilombolas e manteve o percentual voltado às pessoas com deficiência, conforme previsto na legislação anterior. O modelo reforça o objetivo de ampliar o acesso aos cargos públicos federais e corrigir desigualdades históricas.

As ações afirmativas também marcaram o CNU anterior. Na edição de 2024, pessoas autodeclaradas negras representaram 18,8% dos inscritos e chegaram a 24,5% dos aprovados. Candidatos indígenas, que eram 0,46% dos inscritos, alcançaram 2,29% das aprovações. Já os participantes com deficiência representaram 2,06% das inscrições e 6,79% dos selecionados.

A segunda edição do CNU, também conhecida como Enem dos Concursos, oferece 3.652 vagas distribuídas entre 32 órgãos federais. Do total, 3.144 são para nível superior e 508 para nível intermediário. O Ministério da Gestão aponta que 2.480 vagas são destinadas a preenchimento imediato, enquanto 1.172 devem ser ocupadas no curto prazo após a homologação dos resultados. Os cargos estão divididos em nove blocos temáticos, repetindo o modelo de inscrição da primeira edição, em que o candidato seleciona sua lista de preferência para diferentes postos dentro do mesmo bloco.

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