Ataque a morador de rua no Pechincha leva dois reus a juri popular

Dois homens acusados de queimar um morador de rua com coqueteis molotov na Avenida Geremario Dantas, no Pechincha, vao a juri popular na Justica do Rio. O crime ocorreu em fevereiro de 2025 e revoltou a Zona Oeste.

A decisao foi assinada pelo juizo da 4ª Vara Criminal da Capital do Tribunal de Justica do Rio de Janeiro. Gabriel Utrini da Veiga Carvalho Silva e Miguel Felipe dos Santos Guimaraes da Silva tiveram a prisao preventiva mantida e devem ser julgados em 3 de marco de 2027.

Ataque planejado na internet e gravado em video chocou a Zona Oeste

De acordo com o processo, a vitima, identificada como Ludierley Satyro Jose, dormia na calcada quando foi surpreendida pelo ataque com fogo. Ele teve queimaduras graves de terceiro grau em 60% do corpo, provocadas pelo liquido inflamavel, mas conseguiu correr e buscar socorro medico logo apos o fogo se espalhar.

A investigacao apontou que a acao violenta foi combinada em um grupo da plataforma digital Discord. O objetivo do grupo era filmar a crueldade e transmitir tudo em tempo real para outros usuarios da internet. Segundo a acusacao, Gabriel Utrini ofereceu R$ 2,5 mil para que o plano fosse executado.

Na divisao das tarefas apontada pela policia, um adolescente arremessou os artefatos contra a vitima adormecida. Miguel Felipe ficou responsavel por dar cobertura, gravar toda a violencia e transmitir as cenas ao vivo no aplicativo. O dinheiro usado para comprar a gasolina dos explosivos caseiros teria saido de uma transferencia bancaria via Pix ligada a Gabriel.

O que ja se sabe sobre o processo

Os dois reus vao a julgamento no Tribunal do Juri por tentativa de homicidio qualificado, alem de associacao criminosa e corrupcao de menor. O juizo manteve qualificadoras pesadas na acusacao, como o uso de fogo, motivo futil, promessa de pagamento em dinheiro e emboscada que impediu qualquer chance de defesa da vitima.

A decisao da 4ª Vara Criminal destacou que existem provas suficientes de autoria e da materialidade da agressao para que a sociedade decida o destino dos acusados. Como tiveram as prisoes preventivas mantidas, os dois permanecerao encarcerados no sistema penitenciario fluminense ate a realizacao do julgamento popular.

O caso tambem gerou alertas de autoridades sobre comunidades virtuais que incentivam atos violentos no mundo real em troca de destaque entre usuarios de redes sociais fechadas.

Quem responde por isso

O caso corre sob responsabilidade do Tribunal de Justica do Estado do Rio de Janeiro, que centraliza a fase processual antes do julgamento final. As diligencias iniciais e a apuracao do flagrante envolveram delegacias da Policia Civil do Estado do Rio de Janeiro na regiao de Jacarepagua, que identificaram os perfis digitais e rastrearam os pagamentos bancarios.

O policiamento preventivo no Pechincha e na regiao da Avenida Geremario Dantas e de responsabilidade do 18º Batalhao de Policia Militar, responsavel por patrulhar o bairro e os acessos vizinhos da Zona Oeste.

A situacao do adolescente envolvido no ato infracional corre sob sigilo, conforme estabelece a legislacao de protecao a menores de idade, sob avaliacao da Vara da Infancia e da Juventude.

Como denunciar

Moradores que testemunharem crimes, vandalismo ou atos de violencia extrema contra pessoas vulneraveis podem fazer denuncias anonimas ao Disque Denuncia do Rio pelo telefone (21) 2253-1177, que atende durante 24 horas por dia.

Tambem e possivel enviar informacoes pelo aplicativo oficial do Disque Denuncia RJ ou acionar imediatamente uma viatura da Policia Militar ligando para o numero de emergencia 190. Caso a agressao envolva apologia ou planejamento de crimes graves em redes sociais, o cidadao pode procurar qualquer delegacia da Policia Civil para formalizar o relato com registros de tela e links suspeitos.

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