Operação contra quadrilha do CV fecha ruas na Gardênia e Cidade de Deus

Uma grande operação da Polícia Civil contra uma quadrilha do Comando Vermelho assusta moradores da Gardênia Azul e da Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, nesta quarta-feira (2). O clima é de atenção na região.

Polícia Civil tenta prender chefes de quadrilha envolvida em invasões na Zona Oeste

A ação é comandada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco). Os policiais saíram cedo para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão. O foco principal são as comunidades da Gardênia Azul e da Cidade de Deus, localizadas em Jacarepaguá.

Moradores relatam forte movimentação de viaturas desde as primeiras horas da manhã desta quarta-feira. Veículos blindados da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) dão apoio aos agentes civis nas ruas estreitas das comunidades. A segurança foi bastante reforçada nas vias de acesso para evitar fugas e garantir a integridade física de quem precisa trabalhar.

A investigação aponta que o grupo criminoso tentava expandir sua atuação na Zona Oeste. A região tem sido palco de intensos confrontos entre traficantes e milicianos nos últimos meses, o que prejudica a rotina de milhares de trabalhadores.

Quem é o principal alvo da polícia?

O principal alvo dos investigadores nesta nova fase é Rubens Mateus Lisboa Ribeiro. Ele é conhecido no mundo do crime pelos apelidos de “Astro” ou “Lisboa” e é apontado como o líder do grupo. Segundo as investigações da Polícia Civil, ele comanda a estrutura armada que executa os ataques.

A polícia afirma que a quadrilha liderada por ele participou de violentas disputas de terra em bairros como Curicica e Camorim. Recentemente, o mesmo bando também teria coordenado tentativas de invasão nos territórios de Rio das Pedras e da Muzema. Essas duas regiões sofrem historicamente com a forte atuação de grupos milicianos locais.

Os investigadores descobriram que a quadrilha se aliou ao Comando Vermelho para tomar o controle de pontos de venda de drogas e de taxas cobradas dos moradores. O lucro com as cobranças ilegais de serviços básicos, como gás, internet e transporte alternativo, é o principal objetivo da facção.

O que já se sabe sobre a quadrilha?

Esta grande operação é um desdobramento direto de uma longa investigação de inteligência. Na primeira fase dos trabalhos, os policiais civis identificaram Pierre Sá da Silva, que usava o apelido de “PQD”. Ele era considerado o braço direito da organização criminosa na região.

De acordo com os relatórios da Draco, PQD possuía treinamento militar profissional de alto nível. Ele usava essa experiência de quartel para dar instruções de combate e táticas de guerra urbana para os outros traficantes do bando. Pierre acabou morrendo após entrar em confronto direto com policiais em uma operação anterior da delegacia especializada.

Mesmo com a perda do instrutor tático, o bando continuou operando com forte armamento de guerra, como fuzis e granadas. A estrutura logística contava ainda com olheiros espalhados pelas entradas das favelas para monitorar os passos de viaturas da Polícia Militar e de carros descaracterizados da Polícia Civil.

Como fica a rotina de quem vive na região?

As ações policiais na Gardênia Azul e na Cidade de Deus causam forte impacto na mobilidade dos moradores. O comércio local de Jacarepaguá tenta funcionar, mas os lojistas trabalham em estado de alerta permanente. As escolas da rede municipal e os postos de saúde funcionam com atenção redobrada das direções.

Para quem precisa transitar pela Avenida Ayrton Senna ou pela Estrada de Jacarepaguá, a recomendação das autoridades de trânsito é redobrar os cuidados. O tráfego de viaturas pesadas e ambulâncias pode causar lentidão nos principais acessos das comunidades durante o dia.

Os motoristas devem evitar caminhos alternativos que passem por dentro das áreas conflagradas. As empresas de ônibus de transporte coletivo do Rio de Janeiro informaram que mantêm os trajetos regulares, mas que podem alterar as rotas temporariamente caso novos tiroteios sejam relatados na região.

Como denunciar a atuação de criminosos

A ajuda dos moradores do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense é de extrema importância para combater o avanço do crime organizado. A Polícia Civil disponibiliza canais seguros para receber pistas que ajudem a localizar Rubens Mateus Lisboa Ribeiro, o “Astro”, e outros comparsas.

O cidadão pode ligar para o Disque Denúncia do Rio de Janeiro por meio do telefone 2253-1177. O serviço funciona todos os dias da semana, durante 24 horas, e o sigilo das informações é totalmente garantido pelo sistema de proteção ao denunciante. Não é necessário se identificar para fazer a denúncia.

Também é possível encaminhar informações relevantes e fotos suspeitas pelo aplicativo oficial do Disque Denúncia. O cidadão que preferir pode comparecer à delegacia de polícia mais próxima de sua residência ou registrar o fato no portal oficial da Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

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