Mais da metade de toda a água potável produzida e tratada no Estado do Rio de Janeiro é perdida antes de chegar às torneiras dos moradores. Para tentar conter o desperdício provocado por vazamentos em tubulações antigas e ligações clandestinas, especialistas e gestores públicos se reuniram em um seminário para debater o uso de novas tecnologias na rede de distribuição.
O problema afeta diretamente a rotina de quem mora na Capital e na Baixada Fluminense, onde a falta de água frequente contrasta com o volume desperdiçado diariamente no subsolo das cidades. O índice de perda superior a 50% coloca o estado em uma situação crítica, exigindo investimentos urgentes em modernização de redes, sensores de vazamento e troca de tubulações defasadas.
Desperdício de água potável no Estado do Rio atinge marcas históricas
As perdas na rede de distribuição ocorrem de duas formas principais: as perdas reais, provocadas por rompimentos de tubulações e canos furados pela pressão ou pelo tempo de uso, e as perdas fictícias ou comerciais, decorrentes de furtos, conhecidos popularmente como ‘gatos’, e erros de medição nos hidrômetros antigos.
Em diversos bairros da Zona Norte da capital e em municípios da Baixada Fluminense, como Nova Iguaçu e Duque de Caxias, o vazamento visível na rua é um cenário comum. Água limpa jorra por dias seguidos enquanto famílias inteiras dependem de carro-pipa ou precisam armazenar água em baldes para conseguir cozinhar e tomar banho.
Durante o encontro técnico, especialistas defenderam a aplicação de sistemas de inteligência artificial e sensores acústicos capazes de identificar vazamentos ocultos sob o asfalto antes mesmo que eles destruam a via pública. A substituição das velhas redes de ferro fundido por materiais mais flexíveis e resistentes também foi apontada como prioridade para as concessionárias que administram o serviço.
Como o desperdício afeta a conta do consumidor?
Quando a concessionária perde água tratada no caminho, o custo de captação, produto químico e energia elétrica para bombear esse recurso continua existindo. Esse valor acaba impactando os custos operacionais do sistema, além de reduzir a pressão da água que chega às partes mais altas dos bairros e às pontas de rede.
Na prática, o consumidor paga por uma estrutura ineficiente e ainda sofre com o desabastecimento constante. Em períodos de calor intenso, o aumento do consumo agrava ainda mais a situação, deixando regiões inteiras sem água por semanas seguidas devido à falta de pressão gerada pelos vazamentos não reparados.
O que fazer ao encontrar um vazamento na rua?
O morador que notar água limpa jorrando no asfalto ou na calçada deve acionar imediatamente a concessionária responsável pelo abastecimento em seu município. É fundamental anotar o número do protocolo de atendimento para acompanhar o prazo do conserto.
- Águas do Rio: Atende a capital (Zonas Norte, Sul e Centro) e municípios da Baixada. Telefone e WhatsApp: 0800 195 0 195. Atendimento 24 horas.
- Iguá Saneamento: Atende bairros da Zona Oeste (Jacarepaguá e entorno). Telefone e WhatsApp: 0800 400 0509.
- Rio+Saneamento: Atende a Zona Oeste (como Campo Grande e Santa Cruz) e outros municípios. Telefone: 0800 772 1027.
- Cedae: Responsável pelo tratamento da água na estação do Guandu. Contato: 0800 282 1195.
Como denunciar ligações clandestinas e desperdício
As ligações clandestinas reduzem a força da água na rede regularizada e podem contaminar a tubulação principal. A população pode denunciar fraudes e furtos de forma totalmente anônima junto às próprias concessionárias ou pelos canais oficiais de utilidade pública.
No caso de vazamentos em vias públicas que não forem atendidos pelas empresas no prazo informado, o morador pode registrar uma reclamação na Agenersa (Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro) pelo telefone 0800 024 9003 ou pela Ouvidoria do Estado. Manter o número de protocolo inicial é obrigatório para abrir a exigência na agência reguladora.














