A operação contra Marcinho VP ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (29), com a Polícia Civil rastreando imóveis milionários suspeitos de ligação com o tráfico de drogas no Rio de Janeiro. A ação faz parte de mais uma fase da Operação Contenção, que busca desarticular o braço financeiro do Comando Vermelho.
Durante as investigações, agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) identificaram bens associados à família de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, apontado como um dos principais líderes da facção criminosa. Entre os imóveis rastreados estão duas fazendas na Região dos Lagos, uma mansão avaliada em cerca de R$ 10 milhões em Angra dos Reis e terrenos no Morro do Vidigal, onde poderiam ser construídas casas para aluguel.
De acordo com a polícia, mesmo preso, Marcinho VP continuaria exercendo influência direta sobre as finanças do grupo criminoso. As investigações indicam que ele ainda atua como figura central na organização e no controle do fluxo de dinheiro oriundo do tráfico.
É uma operação voltada para coibir e localizar esse dinheiro que tentavam ocultar ou dar aparência de licitude. É um dinheiro que vem diretamente do tráfico. Ficou muito claro, pelas conversas extraídas na investigação, que Marcinho VP, apesar de estar preso, continua atuante, sendo o cabeça dessa facção e controlando o fluxo financeiro, afirmou a delegada responsável pela investigação, em declaração à polícia.
Segundo os investigadores, o esquema financeiro da organização criminosa vem sendo monitorado há pelo menos um ano, com movimentações que chegam à casa dos milhões. A apuração revelou uma estrutura complexa para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Na operação mais recente, um suspeito apontado como operador financeiro do grupo foi preso. Com ele, os agentes apreenderam um carro e uma motocicleta. Outros envolvidos seguem sendo procurados pelas autoridades, incluindo pessoas ligadas diretamente à família de Marcinho VP.
Durante o cumprimento de mandados em bairros da Zona Oeste do Rio, como Jacarepaguá e Barra da Tijuca, os policiais apreenderam celulares, dinheiro em espécie, coletes balísticos e roupas que fazem referência a integrantes da facção criminosa.
As investigações também identificaram a existência de um sistema estruturado de lavagem de dinheiro, que incluía a fragmentação de valores por meio de contas de terceiros. Esses recursos eram utilizados para aquisição de bens, pagamento de despesas e reinserção no mercado formal, com o objetivo de ocultar sua origem.
De acordo com a Polícia Civil, a operação é resultado de um trabalho aprofundado de análise de dados, que envolveu o cruzamento de informações financeiras e telemáticas, além da extração de conteúdos de dispositivos eletrônicos apreendidos ao longo das investigações.
Outro ponto destacado pelos investigadores foi a identificação de diálogos entre integrantes da facção e outros grupos criminosos, o que reforça a atuação coordenada do Comando Vermelho e a permanência de Marcinho VP como uma liderança influente, mesmo após anos de prisão.
As defesas de alguns dos investigados afirmaram ainda não ter acesso aos detalhes da nova fase da operação e disseram que estão buscando mais informações sobre as acusações apresentadas pelas autoridades.
A operação contra Marcinho VP segue em andamento, com novas diligências previstas e a expectativa de aprofundar o mapeamento financeiro da organização criminosa nos próximos dias.














