Uma investigação da Polícia Federal revelou que oficiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) mantinham contato direto com o chefe do tráfico do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Segundo os relatórios, os policiais negociavam com Fhillip da Silva Gregório, conhecido como Professor, quais áreas da comunidade poderiam ser patrulhadas, além de elogiarem sua atuação à frente do tráfico local.
As mensagens foram obtidas por meio da quebra de sigilo da conta de e-mail do traficante, considerado um dos criminosos mais procurados do estado e apontado como o terceiro nome mais importante do Comando Vermelho fora do sistema penitenciário. Foragido há mais de seis anos, Professor também é acusado de liderar o tráfico internacional de armas.
Os diálogos, iniciados em novembro de 2022, mostram uma relação promíscua entre os oficiais e o chefe do tráfico. Em uma das conversas, um policial informa a Professor sobre sua transferência para outra comunidade e garante que deixaria seu sucessor “na mesma sintonia”, termo usado para se referir ao pagamento de propina em troca da não interferência policial nas atividades criminosas.
As investigações apontam que, além de negociar áreas de atuação, os policiais pediam ao traficante que controlasse a circulação de criminosos armados para evitar conflitos com as equipes da UPP. Em resposta, Professor recebia elogios pela sua “gestão” e pelo cumprimento de acordos feitos com os agentes.
Essas conversas fazem parte do inquérito da Operação Dakovo, deflagrada em dezembro de 2023, que desmantelou um esquema de tráfico de 43 mil armas vindas do Paraguai para facções brasileiras. Professor foi identificado como o principal comprador dessas armas para o Comando Vermelho no Rio, mas segue foragido.
Apesar da gravidade das revelações, os policiais envolvidos ainda não foram formalmente identificados, pois não eram alvos da investigação principal. A Polícia Militar informou que a Corregedoria não havia sido notificada sobre o caso, mas que irá solicitar acesso aos autos para instaurar um procedimento investigativo.
Os dois oficiais citados nas conversas continuam atuando na corporação. Já a UPP da Fazendinha, onde ambos trabalharam, foi desativada em 2024 durante uma reestruturação das unidades no Complexo do Alemão.














