Essa semana, o Pier Mauá virou o centro do mundo. Não é exagero. A sexta edição da Rio Innovation Week reuniu mais de 200 mil participantes em quatro dias, com 3 mil palestrantes, 35 palcos, 2 mil startups e 400 expositores. O impacto estimado na economia carioca foi de 156 milhões de reais. Tudo isso em agosto, que historicamente é um mês de baixa temporada para o turismo do Rio.
Isso me fez pensar em algo que a gente que trabalha com turismo receptivo sabe há muito tempo, mas que ainda não entrou de verdade no radar das políticas públicas de turismo da cidade. Eventos de grande porte não são apenas eventos. São produtos turísticos completos, com hospedagem, gastronomia, transporte, lazer e experiência cultural embutidos. E o Rio, quando quer, sabe fazer isso melhor do que qualquer outra cidade do Brasil.
O perfil do público da Rio Innovation Week diz tudo. Quinze por cento de turistas nacionais, vinte e cinco por cento de visitantes do interior do estado e delegações de 30 países. Isso é turismo de negócios e eventos na sua forma mais qualificada. É o visitante que fica mais dias, gasta mais por dia e volta com mais frequência do que o turista de lazer convencional. É o perfil que enche hotel de quarta a domingo, que almoça em restaurante, que faz city tour no dia anterior à conferência, que compra no comércio local e que vai embora querendo voltar.
O Rio tem tudo para ser a capital latino-americana de eventos de inovação e tecnologia. Tem infraestrutura, tem o Pier Mauá, tem o Riocentro, tem a Barra, tem o Centro histórico. Tem universidades de ponta, tem o ecossistema de startups que cresce a cada ano, tem o Web Summit confirmado para 2027. Mas tem também um problema antigo que precisa ser dito com clareza.
A cidade ainda não aprendeu a conectar o calendário de grandes eventos com a estratégia de turismo de forma integrada. O visitante que vem para a Rio Innovation Week muitas vezes não sabe que pode fazer um city tour no dia que chega, que pode ir ao Cristo, que pode conhecer o Santa Teresa, que pode fazer um passeio de barco pela Baía de Guanabara no dia que o evento termina mais cedo. Essa ponte entre o evento e a experiência da cidade ainda é fraca.
Quem trabalha com receptivo no Rio sabe que o turista de eventos é o cliente mais fácil de encantar. Ele já está aqui. Ele já gostou da cidade. Ele só precisa de alguém que mostre o que mais tem para ver. E quando isso acontece, ele volta. Não para o evento. Para o Rio.
A Rio Innovation Week provou mais uma vez que o Rio tem capacidade de atrair o mundo. O desafio agora é garantir que o mundo que chega aqui para inovar também descubra que o Rio tem muito mais para oferecer do que quatro dias de conferência no Pier Mauá.
Bruno Mann é empresário e CEO da Brazil Connection Turismo Receptivo















