O Rio finalmente voltou a olhar para o próprio Centro

Centro do Rio

O Centro do Rio passou anos sendo abandonado. E isso sempre me pareceu uma loucura para uma cidade que vive do turismo.

Estamos falando da parte mais histórica da cidade. Da região onde o Rio nasceu, onde o Brasil viveu momentos importantes da sua história e onde existe um patrimônio cultural que poucas cidades do mundo possuem. Mesmo assim, durante muito tempo, o Centro virou apenas um lugar de escritório, trânsito, correria e prédio vazio depois das seis da tarde.

O Rio passou décadas vendendo praia para o mundo e esquecendo da própria história.

Quem trabalha com turismo percebe isso muito rápido. O turista gosta do Cristo, do Pão de Açúcar e das praias, claro. Mas hoje ele também quer viver a cidade de verdade. Quer andar pelas ruas históricas, ouvir samba, conhecer a cultura local, visitar museus, experimentar comida típica e entender a alma do lugar que está visitando.

E nisso o Centro do Rio é gigante.

Em poucos quilômetros, o turista consegue passar pela Praça Mauá, Museu do Amanhã, Pequena África, Cais do Valongo, Pedra do Sal, Mosteiro de São Bento, Cinelândia, Lapa e tantos outros lugares que contam a história da cidade e do próprio país.

O problema nunca foi falta de potencial. Sempre foi abandono.

Faltou cuidado, segurança, iluminação, ocupação e, principalmente, continuidade. O Rio tem uma mania antiga de começar projetos e depois largar pelo caminho. E o Centro sofreu muito com isso ao longo dos anos.

Mas acho justo reconhecer quando as coisas começam a mudar.

O Boulevard Olímpico foi um grande acerto. O Museu do Amanhã ajudou a mudar completamente a imagem da região portuária. A valorização da Pequena África foi importante e necessária. E agora começam a aparecer novos projetos de revitalização, ocupação urbana e recuperação cultural daquela região.

Tomara que dessa vez exista continuidade.

Porque recuperar o Centro não é apenas uma questão turística. É uma questão econômica também. Um centro vivo movimenta bares, restaurantes, hotéis, comércio, eventos, transporte e gera emprego. Turismo não movimenta só hotel e passeio. Ele gira a cidade inteira.

Ainda existe muito problema, óbvio. Segurança continua sendo um desafio enorme. Muitos prédios seguem abandonados. Algumas áreas ainda passam sensação de vazio. Mas, pela primeira vez em muito tempo, existe uma sensação de que o Rio voltou a olhar para o próprio Centro.

E sinceramente, já passou da hora.

Porque talvez o maior erro do Rio tenha sido abandonar justamente a região que melhor conta a história da cidade.

Limpatech