Você desembarca no Aeroporto do Galeão ou na Rodoviária Novo Rio depois de horas de viagem. Está cansado e a única coisa que quer é chegar ao hotel. Mas antes mesmo de cruzar o saguão de desembarque, a recepção carioca acontece de um jeito que ninguém gosta. Pessoas gritando, oferecendo táxi, transporte por aplicativo “por fora”, chips de celular e até pacotes de passeios. Uma abordagem insistente, muitas vezes abusiva e que passa uma sensação imediata de insegurança.
Essa é a primeira impressão que milhares de turistas têm do Rio de Janeiro todos os dias. E o problema vai muito além do incômodo no saguão.
A informalidade no turismo carioca é uma indústria silenciosa e perigosa. Metade das agências e guias turísticos do estado já chegou a operar em situação irregular por falta de cadastro no Cadastur. E o que parece apenas uma infração burocrática tem um impacto real e imediato na segurança de quem viaja.
Nas praias, nos pontos turísticos e nas calçadas, multiplicam-se vendedores ofertando passeios “imperdíveis” por preços que desafiam a lógica comercial. O turista, na legítima intenção de economizar, acaba comprando. O que ele não sabe é que está embarcando em um veículo sem seguro de passageiros, com um motorista que não tem alvará para transporte turístico e acompanhado por alguém que se diz guia, mas não tem credencial do Ministério do Turismo.
Nós, do trade turístico, cobramos fiscalização constante. E com razão. As autoridades precisam agir de forma enérgica para coibir essa prática que mancha a imagem da cidade. Mas existe um outro lado dessa moeda que precisa ser discutido com franqueza. O turista também precisa assumir a sua parcela de responsabilidade.
A informalidade só existe porque alguém financia. O transporte pirata só circula porque alguém entra no carro. O passeio sem seguro só acontece porque alguém paga por ele.
Quando o visitante escolhe o serviço irregular pelo preço, ele não está apenas burlando o sistema. Ele está colocando a própria experiência, a própria viagem e, no limite, a própria segurança em risco. Um acidente em um transporte não regulamentado, um golpe financeiro ou uma abordagem violenta custam muito mais caro do que a diferença de preço que parecia atrativa na hora da compra.
O Rio de Janeiro bateu recordes históricos de turismo internacional recentemente. A cidade está em alta, recebendo investimentos e se preparando para grandes eventos. O turismo é a vocação natural do estado e um motor econômico insubstituível. Mas para que essa indústria seja sustentável, ela precisa ser profissional.
Valorizar empresas cadastradas, guias credenciados e transportes legalizados não é apenas uma questão de cumprir regras. É a única forma de garantir que a sua viagem seja lembrada pelos motivos certos.
O barato, no turismo, costuma sair muito caro. E a conta da informalidade, mais cedo ou mais tarde, sempre chega para o turista.
Bruno Mann é empresário e CEO da Brazil Connection Turismo Receptivo














