O Maracanã não é apenas um estádio. Ele é um patrimônio emocional do brasileiro e um dos maiores cartões-postais do Rio de Janeiro. Quem trabalha com turismo receptivo sabe que, para o visitante estrangeiro ou de outros estados, pisar naquele gramado é quase uma experiência religiosa. E é por isso que o recente anúncio da gestão Fla-Flu sobre a criação de um novo museu no estádio, com previsão de inauguração para maio de 2027, merece a nossa atenção e, por que não, o nosso otimismo.
O projeto, que envolve um investimento de mais de R$ 20 milhões e faz parte do plano de modernização da nova concessão de 20 anos assinada pelos clubes, promete entregar algo que há muito tempo o turismo carioca pede: uma experiência imersiva de nível mundial. O que foi divulgado até agora fala em tecnologia de realidade virtual, áreas interativas e a integração das icônicas torres do estádio como plataformas de observação.
O que me anima nessa notícia não é apenas a modernização do espaço físico. É a mudança de mentalidade. Por muito tempo, o Maracanã operou o seu “Tour” de forma burocrática. Você entrava, via algumas camisas, sentava no banco de reservas e ia embora. Era legal? Sim, pela aura do lugar. Mas estava longe de ser uma atração que segurasse o turista por horas ou que o fizesse querer voltar. O turismo moderno não se contenta mais em apenas “ver”. O turista quer “sentir”. Ele quer a imersão, quer a narrativa bem contada, quer a experiência que ele vai compartilhar nas redes sociais.
A promessa de que o novo museu vai usar tecnologia para fazer o visitante reviver partidas icônicas e sentir a adrenalina de estar em campo é exatamente o que os grandes estádios europeus já fazem. O Santiago Bernabéu, em Madri, e o Camp Nou, em Barcelona, não são apenas estádios, são as atrações turísticas mais visitadas de suas cidades, gerando receitas milionárias todos os dias do ano, independentemente de haver jogo ou não. O Maracanã tem potencial para ser exatamente isso no Brasil.
Outro ponto que merece destaque é o timing. A previsão de inauguração para maio de 2027 não é por acaso. O Brasil será sede da Copa do Mundo Feminina no mesmo ano, e o Maracanã será o palco principal. Entregar um equipamento turístico de ponta às vésperas de um evento global é a estratégia correta para maximizar a visibilidade e atrair o fluxo internacional.
Mas como nem tudo são flores, fica o alerta para a gestão Fla-Flu e para o poder público. Um museu de classe mundial exige um entorno de classe mundial. Não adianta entregar uma atração imersiva espetacular da porta para dentro se, da porta para fora, o turista encontrar problemas de segurança, falta de sinalização adequada e dificuldades de mobilidade. A experiência do visitante começa quando ele decide sair do hotel e só termina quando ele volta.
A parceria entre Flamengo e Fluminense na gestão do estádio tem se mostrado eficiente na recuperação do gramado e na organização dos jogos. Agora, eles têm a oportunidade de deixar um legado duradouro para o turismo da cidade. Que o novo Museu do Maracanã seja o primeiro passo para transformar de vez a região em um polo cultural e de entretenimento seguro, vibrante e rentável o ano inteiro. O turismo do Rio de Janeiro agradece.
Bruno Mann é empresário e CEO da Brazil Connection Turismo Receptivo














