O Novo Escritório do Crime é alvo de uma operação conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), que revelou que a facção criminosa era comandada de dentro da prisão pelo ex-policial militar Thiago Soares Andrade Silva, conhecido como Ganso. Detido desde 2023, ele é apontado como líder do grupo, considerado sucessor direto do antigo Escritório do Crime, milícia especializada em assassinatos por encomenda.
A operação, deflagrada nesta quinta-feira (15), cumpre nove mandados de prisão contra integrantes da quadrilha, entre eles policiais da ativa e ex-militares. Além de Ganso, também são alvos o capitão Alexander Ribeiro Estrela, do 39º BPM (Belford Roxo); o cabo Diogo Brigs Climaco, do 9º BPM (Rocha Miranda); e o segundo-tenente Bruno Marques da Silva, conhecido como Bruno Estilo, que já estava encarcerado.
Outros integrantes identificados são Anderson de Oliveira Reis Viana, Victor Francisco da Silva, Rodrigo Oliveira Andrade de Souza e Diony Lancaster Fernandes do Nascimento. Os dois últimos também já se encontram presos. Todos foram denunciados à Justiça por organização criminosa armada, sequestro, e comércio ilegal de armas e munições.
As investigações revelam que parte do armamento comercializado pelo grupo vinha de apreensões realizadas pela própria polícia. Esses materiais eram desviados dos depósitos oficiais e revendidos no mercado clandestino, abastecendo a estrutura bélica da organização. Essa prática reforça a atuação do grupo como milícia organizada com forte infiltração em setores da segurança pública.
O Gaeco também atribui à organização ao menos dois homicídios. Um deles ocorreu em setembro de 2021, quando Fábio Romualdo Mendes foi executado dentro de seu carro na região de Vargem Pequena, Zona Oeste do Rio. O outro caso foi o assassinato de Neri Peres Júnior, morto em uma emboscada no bairro de Realengo, em 4 de outubro do mesmo ano. A vítima foi atingida por disparos de fuzil em plena via pública.
A estrutura do Novo Escritório do Crime se assemelha à do grupo original, fundado por Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope, morto em 2020. Atuante principalmente na Zona Oeste do Rio, o Escritório do Crime original era composto por policiais e ex-policiais altamente treinados, com histórico de planejamento de crimes com alto grau de sofisticação.
Desde 2009, pelo menos 13 assassinatos foram associados à antiga milícia, que também atuava em grilagem de terras, construções irregulares e especulação imobiliária. Após a morte de Adriano, a liderança foi assumida pelos irmãos Leonardo Gouvêa da Silva, o Mad, e Leandro Gouvêa da Silva, o Tonhão. Em 2024, ambos foram condenados a 26 anos e 8 meses de prisão pelo assassinato do contraventor Marcelo Diotti da Mata, ocorrido em 2018.
A operação do Gaeco representa mais uma tentativa do Ministério Público de desarticular milícias que, mesmo com líderes presos, continuam operando e expandindo suas ações com apoio de integrantes da segurança pública. A atuação do grupo investigado deixa claro que, apesar das sucessivas prisões e ações judiciais, a engrenagem criminosa segue em funcionamento com altos níveis de organização e articulação.
As autoridades seguem reunindo provas e rastreando conexões da quadrilha com outras redes criminosas, inclusive com suspeitas de ligação com a lavagem de dinheiro por meio de imóveis e empresas de fachada. A expectativa é que novas fases da operação sejam deflagradas nas próximas semanas.














