Um crânio incompleto com ossos isolados, como o jugal, o quadrado, o dentário, o surangular e uma série de vértebras cervicais articuladas, mudaram a história de um dinossauro do tipo “bico de pato”. Durante quase cem anos este conjunto de ossos, guardado em coleções científicas dos Estados Unidos, foi tratado como apenas mais um exemplar de um dinossauro. Agora Um estudo internacional identificou e descreveu uma nova espécie de hadrossaurídeo de grande porte batizada de Ahshislesaurus wimani. O animal viveu há cerca de 75 milhões de anos, no atual noroeste do Novo México, em um período anterior ao de espécies conhecidas como Tyrannosaurus rex e Triceratops.
– Graças a grande quantidade de novos fósseis, ao revisar o material, utilizando dados comparativos e métodos mais refinados de análise, percebemos que o espécime apresentava um conjunto de características anatômicas que não correspondia a nenhum hadrossaurídeo descrito até hoje. Esta comparação anatômica foi decisiva, pois o Hadrosauridae é uma família de grandes dinossauros herbívoros, que esteve entre os mais abundantes dos ecossistemas terrestres do Cretáceo Superior da América do Norte por cerca de 20 milhões de anos – observou Sebastian Dalman, autor principal do estudo,
A equipe de cientistas de instituições dos EUA e da Eslováquia comparou minuciosamente os ossos do novo exemplar com os de outros gêneros e espécies de hadrossauros, buscando diferenças consistentes. As distinções mais claras aparecem em partes do crânio. Elementos como o quadrado, o jugal e o dentário apresentam formas e proporções que não se repetem em outros dinossauros de ‘bico de pato’ conhecidos.
O fóssil que deu origem à nova espécie foi descoberto em 1916, em rochas do Cretáceo Superior da Formação Kirtland, na região conhecida como Four Corners, onde se encontram o Novo México, Arizona, Utah e Colorado. O material coletado por John B. Reeside Jr. foi enviado ao Museu Nacional de História Natural dos Estados Unidos. Só em 1935 o paleontólogo Charles Gilmore descreveu os ossos e os atribuiu a um hadrossaurídeo já conhecido, Kritosaurus navajovius, identificação que permaneceu válida até hoje.
– Com base nos fósseis conhecidos, Ahshislesaurus wimani. era um herbívoro de grandes proporções: podia alcançar entre 10 e 12 metros de comprimento e pesar cerca de 8 toneladas. Pelo que analisamos esta espécie tinha o corpo robusto e a boca achatada, adaptada ao corte e ao processamento de plantas, indicam que ele consumia grandes volumes de vegetação e exercia forte influência sobre o ambiente ao seu redor – explica o professor Sebastian Dalman.
Para os pesquisadores a importância de Identificar um Hadrossauro como o Ahshislesaurus, que transformava grandes quantidades de plantas em energia disponível para o restante da cadeia alimentar, ajuda a compreender todo o cenário do habitat daquela época assim como o ambiente de há cerca de 75 milhões de anos.














