Nódulos na Amamentação: Entenda por que surgem e quais sinais de alerta exigem atenção médica imediata

Nódulos na amamentação: Entenda por que surgem e quais sinais de alerta exigem atenção médica imediata

Durante a amamentação, o corpo da mulher passa por intensas transformações. A produção de leite, as mudanças hormonais e o aumento da vascularização nas mamas podem levar ao aparecimento de caroços, áreas endurecidas e desconforto. Essas alterações, especialmente para mães de primeira viagem, podem gerar dúvidas e o receio de que algo mais grave, como o câncer de mama, esteja presente.

Na vasta maioria dos casos, os nódulos que surgem nesse período são benignos. Contudo, é fundamental reconhecer os sinais de alerta para buscar avaliação médica no momento oportuno. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que o Brasil registrará cerca de 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, reforçando a importância da vigilância.

A radiologista Andreia Brandão, do Núcleo de Mama do Alta Diagnósticos, no Rio de Janeiro, explica que o surgimento de caroços durante a amamentação é algo esperado. “A mama está em intensa atividade. O motivo mais frequente é o leite empedrado, chamado de ingurgitamento, ou a obstrução de um ducto”, afirma.

Entendendo as causas comuns dos nódulos na amamentação

Além do ingurgitamento e ductos obstruídos, outras situações comuns incluem a formação de galactoceles, que são cistos repletos de leite, e processos inflamatórios como a mastite. É importante notar que nódulos benignos já existentes, como fibroadenomas, podem ter seu tamanho aumentado nesse período devido à influência hormonal.

O que observar em um nódulo durante a amamentação

A forma mais eficaz de avaliar um nódulo é observar seu comportamento ao longo do dia, principalmente após a amamentação. “Nódulos benignos tendem a mudar de tamanho, amolecer ou até desaparecer depois que a mama é esvaziada. Eles também costumam ser doloridos e podem vir acompanhados de vermelhidão ou calor na pele”, detalha Andreia.

Por outro lado, sinais que demandam investigação geralmente apresentam um comportamento distinto. Nódulos persistentes, endurecidos, que não diminuem de tamanho após a amamentação e, em geral, não causam dor, merecem atenção especial. Alterações na pele da mama também são um indicativo importante.

O mastologista e ginecologista Alexandre Pupo Nogueira, membro do Núcleo de Mastologia do Hospital Sírio-Libanês, acrescenta que “quando o nódulo é irregular, endurecido e causa retração da pele ou do mamilo, aumenta a suspeita. A saída de secreção transparente ou com sangue também preocupa”.

Caroços na axila, que não doem e possuem pouca mobilidade, podem indicar comprometimento de linfonodos. Existem ainda formas mais raras de apresentação, como o carcinoma inflamatório, que deixa a mama vermelha, endurecida e espessa, sem dor ou febre, e a doença de Paget, que se manifesta como uma ferida na aréola que não cicatriza.

Exames para investigar nódulos na amamentação sem interromper o aleitamento

Caso haja suspeita, a investigação pode ser realizada sem a necessidade de interromper a amamentação. A ultrassonografia é o exame inicial de escolha por não utilizar radiação. “Se for necessário complementar com mamografia, também é seguro. A orientação é amamentar ou retirar o leite antes do exame para melhorar a qualidade da imagem”, explica a radiologista.

A recomendação médica é clara: não adiar a avaliação. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de um tratamento eficaz e proporciona maior segurança para a mãe e o bebê.

Amamentação: Um ato que também protege contra o câncer de mama

Apesar das preocupações comuns durante a lactação, a amamentação em si possui um efeito protetor contra o câncer de mama. “O primeiro fator é hormonal, com níveis mais baixos de estrogênio durante o aleitamento. O segundo é a renovação das células da mama, que elimina unidades potencialmente alteradas”, esclarece Andreia.

Dados do Ministério da Saúde indicam que, a cada 12 meses de amamentação ao longo da vida, o risco da doença pode diminuir entre 4,3% e 6%.

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