Miranir de Souza Dias, de 59 anos, morreu na terça-feira (2) após sofrer paradas cardiorrespiratórias durante uma endoscopia na clínica Endocorp, em Planaltina (DF). A família registrou o caso na polícia e denuncia negligência médica no procedimento.
Entenda o caso da paciente que faleceu após exame de rotina
A dona de casa Miranir de Souza Dias era descrita pela família como uma pessoa ativa e que estava apenas realizando exames de rotina. Segundo os parentes, ela tinha apenas um histórico de hipertensão controlada, o que não impediria a realização do procedimento de endoscopia. O exame foi agendado para o sábado (29/8) na clínica particular Endocorp, localizada na região de Planaltina. No entanto, o que deveria ser um procedimento simples e rápido acabou se tornando uma tragédia que mobilizou a família em uma busca desesperada por respostas e atendimento médico adequado.
De acordo com os relatos da cunhada de Miranir, Aldeany Sousa, a paciente já saiu da sala de exames em uma situação extremamente preocupante. Ela foi levada em uma maca e apresentava a região abdominal muito inchada, um sinal de que algo incomum havia ocorrido durante o exame. Sem receber explicações detalhadas dos profissionais da clínica sobre o estado da paciente, os familiares perceberam que a situação era grave quando o socorro precisou ser acionado com urgência extrema pela própria equipe ou por testemunhas.
O que aconteceu no dia do exame de endoscopia
Ainda nas dependências da clínica particular, a paciente passou muito mal e sofreu a primeira parada cardiorrespiratória. Diante do quadro de extrema gravidade, o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal foi acionado para realizar os primeiros socorros e fazer o transporte de emergência. Miranir foi levada às pressas para o Hospital Regional de Planaltina, uma unidade pública de saúde da região.
No hospital público, a situação da dona de casa se complicou ainda mais. Ela sofreu uma segunda parada cardiorrespiratória e precisou ser entubada imediatamente pela equipe médica de plantão. Inicialmente, a família recebeu a informação de que o quadro de Miranir era considerado estável. No entanto, ao conseguirem autorização para visitá-la na ala vermelha do hospital, os parentes a encontraram totalmente desacordada e respirando apenas com a ajuda de aparelhos. Foi nesse momento que os médicos do hospital público alertaram que o estado de saúde dela era gravíssimo e que era urgente a transferência para um leito de Unidade de Terapia Intensiva.
A transferência judicial e a morte na UTI
Durante todo o fim de semana que se seguiu ao exame, a família travou uma verdadeira batalha contra o tempo e contra a burocracia para conseguir uma vaga de UTI na rede pública de saúde. Como não havia leitos disponíveis com a estrutura necessária para o caso de Miranir no Hospital Regional de Planaltina, os familiares precisaram recorrer à Justiça para garantir o direito ao tratamento médico adequado.
Com o auxílio de um mandado judicial expedido em caráter de urgência, a família conseguiu a transferência de Miranir na madrugada de segunda-feira (31/8). Ela foi levada para um leito de UTI em um hospital particular na região de Ceilândia, também no Distrito Federal. Apesar de todos os esforços das equipes médicas e da transferência tardia, a dona de casa não resistiu às complicações decorrentes das paradas cardíacas e teve o óbito confirmado na noite de terça-feira (2/9).
O que já se sabe sobre a investigação
A morte de Miranir está sendo investigada oficialmente pela 16ª Delegacia de Polícia, localizada em Planaltina. A ocorrência foi registrada pela família como possível crime de negligência médica e homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, mas há desleixo ou erro técnico por parte dos profissionais envolvidos. Os policiais civis trabalham agora para recolher os prontuários médicos da clínica Endocorp e do hospital público onde ela recebeu os primeiros socorros.
Um dos pontos que mais intrigou e assustou a família de Miranir foi a atitude dos responsáveis pela clínica após o incidente. Ao retornarem ao local em busca de explicações sobre o ocorrido e para solicitar cópias dos documentos do exame, os parentes encontraram o estabelecimento completamente fechado. Além disso, o letreiro de identificação que ficava na fachada da clínica havia sido removido, gerando ainda mais desconfiança sobre a conduta dos profissionais.
Quem responde pelo caso e o paradeiro da clínica
Até o momento, a defesa da clínica Endocorp não se manifestou publicamente sobre a morte da paciente ou sobre a retirada do letreiro de sua fachada. O espaço para manifestações continua aberto junto às autoridades policiais e aos veículos de imprensa que acompanham o desdobramento do caso. A Polícia Civil do Distrito Federal informou que intimará os médicos e técnicos que participaram do procedimento para prestar depoimento nos próximos dias.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal confirmou, por meio de nota oficial, que a paciente deu entrada no Hospital Regional de Planaltina após sofrer uma parada cardiorrespiratória em uma clínica particular e que recebeu todo o suporte de emergência cabível na unidade pública antes de sua transferência por ordem judicial.
O que fazer em casos de suspeita de erro médico
Para o cidadão comum que passa por situações semelhantes de suspeita de erro ou negligência em procedimentos médicos, especialistas orientam que o primeiro passo é registrar um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou pela internet. É fundamental solicitar imediatamente uma cópia do prontuário médico completo junto à instituição de saúde onde o atendimento foi realizado, pois esse documento é um direito do paciente e serve como prova essencial.
Além do registro policial, a denúncia deve ser formalizada junto ao Conselho Regional de Medicina do estado onde ocorreu o fato. No Rio de Janeiro, por exemplo, as denúncias podem ser feitas na sede do Cremerj ou pelo site oficial do órgão. Guardar receitas, comprovantes de pagamento, laudos e nomes de testemunhas também ajuda a embasar a investigação administrativa e judicial sobre a conduta dos profissionais de saúde.
Foto: Povo na Rua















