Chuva alaga pistas e trava trânsito entre Niterói e São Gonçalo

A forte chuva que atingiu o Leste Fluminense nesta terça-feira causou grandes bolsões de água e travou o trânsito entre Niterói e São Gonçalo, complicando a volta para casa de milhares de trabalhadores que dependem dos ônibus.

A fúria das nuvens deixou pistas alagadas em pontos cruciais que ligam os dois municípios. Motoristas e passageiros enfrentam horas de retenção em vias arteriais como a Rodovia Amaral Peixoto (RJ-104) e a Alameda São Boaventura.

Caos no trânsito afeta milhares de passageiros de ônibus

O reflexo dos bolsões de água foi sentido imediatamente no Terminal Rodoviário João Goulart, no Centro de Niterói. Filas gigantescas se formaram nas plataformas das linhas que vão para bairros de São Gonçalo, como Alcântara, Jardim Catarina e Mutondo. Trabalhadores relatam esperas que passam de uma hora apenas para conseguir embarcar nos coletivos.

Quem conseguiu entrar nos ônibus não teve melhor sorte. Os veículos ficaram presos no engarrafamento que se estendeu por toda a extensão da Alameda São Boaventura, no bairro do Fonseca. O fluxo de veículos pesados e de carros de passeio ficou praticamente parado, gerando um efeito cascata que travou até mesmo os acessos à Ponte Rio-Niterói.

Quais são os pontos mais atingidos pelos bolsões de água?

O principal gargalo na ligação entre as duas cidades é a região do Caramujo e do Novo México, na RJ-104. O acúmulo de água na pista impossibilitou a passagem de carros de passeio em algumas faixas, restando apenas a faixa seletiva para ônibus e caminhões. Isso afunilou o trânsito e gerou quilômetros de retenção para quem segue no sentido São Gonçalo.

Outro ponto crítico registrado pelos moradores foi na altura de Tribobó, já no município de São Gonçalo. A água subiu rapidamente nas proximidades das passagens de pedestres, obrigando quem estava a pé a se abrigar sob marquises de comércios. Em Neves, vias secundárias que cortam a região também sofreram com pequenos alagamentos, dificultando caminhos alternativos.

Na Alameda São Boaventura, os bolsões se concentraram principalmente na altura da faixa exclusiva de ônibus (BHS), perto da caixa d’água do Fonseca. A Companhia de de Limpeza de Niterói (CLIN) e equipes de conservação municipal foram acionadas para desobstruir bueiros entupidos por lixo, que agravam o represamento da água da chuva na pista.

Como fica a circulação dos ônibus e do trânsito na região?

A Niterói Transportes e Trânsito (NitTrans) informou que colocou agentes em pontos estratégicos para orientar os motoristas e tentar desviar o tráfego para rotas menos afetadas. Contudo, as opções de desvio são escassas para quem precisa cruzar a divisa entre os dois municípios. A recomendação da autarquia é que os motoristas evitem deslocamentos não essenciais enquanto durar a chuva forte.

O Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) da Polícia Militar também reforçou o policiamento nas rodovias estaduais RJ-104 e RJ-106. Viaturas estão posicionadas para sinalizar trechos com risco de aquaplanagem e orientar sobre a velocidade reduzida. O tempo de viagem, que normalmente leva trinta minutos entre as duas centrais urbanas, chegou a triplicar nas horas de pico.

As empresas de ônibus que operam as linhas intermunicipais, como a Viação Mauá e a Auto Ônibus Fagundes, alertaram para atrasos generalizados nas viagens. Passageiros devem se preparar para partidas fora do horário regular e tempo de percurso muito superior ao habitual ao longo de toda a noite.

Quem acionar em caso de emergência nas duas cidades?

As prefeituras de Niterói e São Gonçalo orientam que a população fique atenta aos alertas emitidos via mensagem de texto (SMS). Em caso de alagamento iminente nas residências ou deslizamento de encostas, os moradores devem procurar locais seguros e acionar imediatamente os órgãos de socorro. Os telefones úteis estão funcionando em regime de plantão de vinte e quatro horas.

Em Niterói, a Defesa Civil atende pelo número de emergência 199 ou pelo telefone fixo (21) 2620-0199. Para receber os alertas de chuva forte por SMS no celular, o cidadão pode enviar uma mensagem gratuita com o número do seu CEP para o número 40199.

Em São Gonçalo, o contato com a Defesa Civil municipal deve ser feito pelo telefone 199 ou pelo número (21) 2601-0123. A Secretaria de Assistência Social gonçalense também mantém equipes de prontidão para prestar apoio em pontos de apoio previamente cadastrados nas comunidades de maior risco. O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro atende emergências pelo tradicional 193.

Qual é a previsão do tempo para as próximas horas?

De acordo com o sistema de monitoramento meteorológico regional, a frente fria que atua sobre o estado do Rio de Janeiro deve continuar provocando chuvas moderadas a fortes durante a madrugada. A umidade vinda do oceano reforça a formação de nuvens carregadas sobre a Baía de Guanabara e a região metropolitana.

A previsão indica que o tempo só deve começar a abrir a partir da tarde do dia seguinte. Até lá, o solo encharcado eleva o risco de pequenos deslizamentos em encostas de morros no Fonseca, Caramujo e em bairros de São Gonçalo como o Engenho Pequeno. As autoridades pedem atenção máxima de quem mora próximo a encostas e barrancos.

Os trabalhadores que dependem da travessia diária entre as duas cidades devem acompanhar as atualizações de trânsito antes de sair de casa pela manhã. O escoamento total da água acumulada nas pistas depende da trégua da chuva e da descida da maré, o que pode prolongar o cenário de lentidão nas primeiras horas do próximo dia útil.

Foto: Povo na Rua

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