MPRJ prende 3 PMs por esquema de propina em Belford Roxo

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro prendeu três policiais militares acusados de cobrar propina para dar atendimento prioritário a estabelecimentos comerciais em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. As prisões aconteceram durante a sexta fase da Operação Patrinus.

A investigação revelou que os agentes usavam a estrutura e as viaturas do 39º BPM (Belford Roxo) para proteger comércios que pagavam taxas semanais ou mensais. Os comerciantes que aceitavam entrar no esquema de corrupção eram chamados pelos policiais de “padrinhos”.

Policiamento pago dividia a atenção das viaturas na Baixada Fluminense

O esquema funcionava de forma direta: quem pagava a taxa ilegal garantia a presença constante das viaturas na porta do comércio. Já a população em geral, que depende do patrulhamento ostensivo regular nas ruas de Belford Roxo, ficava com o atendimento prejudicado pela falta de viaturas nas rondas comunitárias.

Segundo a denúncia do Ministério Público, os policiais desviavam as rotas oficiais traçadas pelo comando do batalhão para cumprir o acordo paralelo. Quando os comerciantes pagadores acionavam os agentes pelo telefone celular, o atendimento era imediato, passando na frente de chamados de emergência feitos pela população ao 190.

Como funcionava a cobrança da propina e as negociações

As investigações apontaram que os valores cobrados variavam conforme o porte do estabelecimento. Em um dos casos documentados pela promotoria, que envolveu uma clínica médica no centro do município, os agentes receberam pagamentos de R$ 50 e negociavam o reajuste do valor para R$ 100.

Mensagens de texto e áudios obtidos com autorização da Justiça mostram os policiais discutindo os valores recolhidos. Em um dos trechos, um dos agentes reclama do valor recebido usando gírias para se referir à quantia de R$ 50, cobrando a diferença que havia sido combinada previamente com o gerente do local.

Para provar ao comerciante que o serviço privado estava sendo prestado, os policiais militares tiravam fotos das viaturas estacionadas na frente dos estabelecimentos. Essas imagens eram enviadas em grupos de aplicativos de mensagem para comprovar a presença da equipe e garantir o recebimento do dinheiro.

Situação dos acusados e desdobramentos da operação

Dos três policiais alvos dos mandados de prisão preventiva expedidos pela Auditoria da Justiça Militar, dois já estavam cumprindo pena em unidades prisionais por outros crimes apurados na mesma operação. Os mandados foram cumpridos no Batalhão Especial Prisional, em Niterói, e no Presídio Joaquim Ferreira de Souza, no Complexo de Gericinó.

O terceiro investigado foi localizado pelos agentes em sua residência, situada no bairro Parque Rosário, no município vizinho de Nova Iguaçu. Um dos policiais envolvidos nas negociações já foi expulso dos quadros da corporação após o avanço do processo administrativo disciplinar aberto pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar.

A Operação Patrinus começou em maio de 2024 e continua investigando a participação de outros agentes e empresários da Baixada Fluminense. O objetivo é mapear toda a rede de comércios que pagava pelas vantagens indevidas e identificar novos envolvidos no desvio de conduta militar.

Como denunciar abusos e corrupção policial

O morador ou comerciante que for vítima de extorsão ou presenciar condutas irregulares cometidas por policiais militares pode fazer a denúncia de forma totalmente anônima. Não é necessário se identificar para repassar as informações aos órgãos de fiscalização.

  • Disque Denúncia: Telefone (21) 2253-1177. O atendimento funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, com garantia de sigilo absoluto.
  • Corregedoria-Geral da Polícia Militar: O cidadão pode fazer o registro presencialmente na sede do órgão ou através do telefone (21) 2332-9080. O e-mail para contato é ouvidoria@policiamilitar.rj.gov.br.
  • Ouvidoria do Ministério Público (MPRJ): Atendimento pelo telefone 127 ou pelo formulário eletrônico disponível no site oficial do órgão.

Como fica a segurança no município de Belford Roxo

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro informou que o patrulhamento no município de Belford Roxo segue normalmente sob a responsabilidade do 39º BPM. O comando da corporação destacou que não tolera desvios de conduta de seus integrantes e que apoia as ações de depuração interna.

Para quem precisa de atendimento policial imediato na região, o canal oficial continua sendo a central de emergência 190. Em caso de ocorrências registradas no passado ou perda de documentos, o cidadão pode procurar a 54ª Delegacia Policial (Belford Roxo) ou utilizar a Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

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