O desmatamento causado por ocupação religiosa em uma área da Floresta da Tijuca levou o Ministério Público Federal (MPF) a acionar a Justiça. No dia 30 de janeiro, foi instaurada uma Ação Civil Pública contra o ICMBio e o município do Rio de Janeiro, sob a alegação de abandono de parte do Parque Nacional da Tijuca.
Segundo o MPF, a área conhecida informalmente como “Monte Cardoso Fontes”, localizada ao lado do Hospital Federal de mesmo nome, tem sido utilizada para acampamentos de longa permanência. A região integra a Área de Proteção Ambiental da Serra dos Pretos Forros e apresenta sinais de supressão progressiva de vegetação, em desacordo com as regras de uso do parque federal.
De acordo com a ação, a permanência das estruturas improvisadas e a abertura de clareiras configuram crime ambiental, além de representar riscos à integridade do ecossistema e à segurança das pessoas que frequentam o local. O MPF sustenta que houve omissão do poder público na fiscalização e na proteção da área.
Antes da ação judicial, denúncias sucessivas foram encaminhadas por moradores da região. A mobilização partiu da Associação de Moradores e Amigos da Freguesia (AMAF), que acionou o MPF e motivou a instauração de um inquérito civil público, posteriormente convertido na Ação Civil Pública.
A entidade afirma que não se opõe ao uso religioso do espaço, mas ressalta a necessidade de conciliar práticas de fé com a preservação ambiental. A AMAF também aponta preocupação com a permanência dos acampamentos na floresta e com possíveis riscos à segurança dos frequentadores e do entorno.
O processo segue em tramitação na Justiça e deverá definir responsabilidades, além de possíveis medidas para a recuperação ambiental da área afetada e o reforço da fiscalização no Parque Nacional da Tijuca.














