Motofaixas no Rio terão limite de 60 km/h em vias da Lagoa e da Gávea

Faixa para Motos

As motofaixas no Rio começaram a sair do papel nesta quinta-feira (14), com a implantação experimental em vias da Lagoa e da Gávea, na Zona Sul. A medida foi oficializada por decreto assinado pelo prefeito Eduardo Cavaliere e publicada no Diário Oficial, com a proposta de organizar melhor o tráfego de motociclistas e reduzir acidentes.

A iniciativa prevê a criação de faixas preferenciais para motos em corredores considerados estratégicos. Entre os trechos incluídos estão a Autoestrada Engenheiro Fernando Mac Dowell, o Túnel Acústico Rafael Mascarenhas e avenidas como Borges de Medeiros e Epitácio Pessoa. As motofaixas funcionarão nos dois sentidos das vias.

De acordo com a Prefeitura, a implantação será feita em caráter experimental. A CET-Rio ficará responsável pela sinalização e pelo monitoramento contínuo dos resultados, avaliando o comportamento do trânsito e os impactos da medida ao longo do período de teste.

As faixas serão pintadas na cor azul e posicionadas entre as pistas já existentes, preferencialmente entre a faixa da esquerda e a faixa central. O limite de velocidade será de 60 km/h nos trechos contemplados.

Apesar de serem destinadas às motocicletas, as motofaixas não terão uso obrigatório. A orientação dos órgãos de trânsito é que os motociclistas priorizem esse espaço, principalmente em momentos de maior congestionamento, quando o risco de colisões tende a aumentar.

Carros e outros veículos poderão cruzar as faixas apenas para fazer mudança de pista. Para isso, os motoristas deverão sinalizar corretamente a manobra e respeitar as regras de circulação, evitando o uso indevido do espaço reservado às motos.

A criação das motofaixas ocorre em um cenário de preocupação com a segurança viária na capital fluminense. Segundo dados apresentados pelo deputado federal Daniel Soranz, o Rio registrou cerca de 17 mil vítimas de acidentes de trânsito em 2025, com grande presença de ocorrências envolvendo motocicletas.

Em declaração sobre a medida, Soranz destacou o impacto dos acidentes de moto na rede pública de saúde. Em depoimento, ele afirmou: “Essa política pública faz muita diferença. Hoje, são muitas as pessoas que ocupam as enfermarias de hospitais. O Hospital do Andaraí tem um andar inteiro só de enfermaria para acidente de moto”.

A presidente da CET-Rio, Marize Ribeiro, também ressaltou a importância da organização do fluxo em áreas de grande movimento. Segundo ela, somente no Túnel Acústico Rafael Mascarenhas circulam cerca de 67 mil veículos por dia.

Em depoimento, Marize afirmou: “O volume aqui é muito alto e, com as motofaixas, a gente consegue dar mais segurança e mais agilidade para o motociclista”.

A Prefeitura afirma que a proposta acompanha diretrizes internacionais de segurança no trânsito. Durante o anúncio, o prefeito citou metas da Organização das Nações Unidas para redução de mortes no trânsito até 2030.

Com o início do projeto, a expectativa é que os dados coletados pela CET-Rio ajudem a definir se as motofaixas poderão ser mantidas, ajustadas ou ampliadas para outras regiões da cidade. A fase experimental será decisiva para avaliar se a medida terá efeito prático na redução de acidentes e na melhoria da circulação de motociclistas.

Limpatech