Morro do Fubá vive clima de guerra após morte de Kaioba

Kaioba

O Morro do Fubá vive um clima de guerra desde a morte do traficante Kaio da Silva Honorato, o Kaioba. Ele foi baleado durante um confronto entre facções criminosas rivais na Zona Norte e acabou não resistindo aos ferimentos. Desde então, moradores da região relatam tiroteios, ameaças e movimentações suspeitas por parte de criminosos.

Kaioba era conhecido por atuar pelo Comando Vermelho (CV) e por liderar ações armadas em tentativas de invasão ao Morro do Fubá e Campinho, além de outras áreas sob influência do Terceiro Comando Puro (TCP). A guerra entre as facções se intensificou nos últimos meses, e a morte do traficante elevou ainda mais o nível de violência.

De acordo com informações preliminares, Kaio foi atingido em uma área de mata próxima à comunidade, durante confronto com integrantes do TCP. Levada às pressas à UPA do Engenho de Dentro por aliados, a vítima acabou não resistindo. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso.

Nas redes sociais, aliados do CV publicaram mensagens de luto, enquanto criminosos ligados ao TCP comemoraram o assassinato com fogos de artifício em comunidades como Morro dos Macacos, em Vila Isabel, e no Andaraí. O nome de Kaioba aparecia vinculado a grupos armados autodenominados “Equipe Caos”, onde era considerado um “artilheiro” do Comando Vermelho.

Disputa sangrenta por território

A disputa de território na região do Morro do Fubá se arrasta há mais de dois anos. Facções rivais têm transformado a área em palco frequente de confrontos armados, o que já provocou diversas mortes e levou pânico aos moradores. A facção CV domina o tráfico em comunidades próximas, como Morro do Divino e o Complexo do 18.

Em vídeos e fotos divulgadas nas redes sociais, traficantes posam armados em pontos estratégicos das comunidades, sugerindo a possibilidade de novas ofensivas. O medo de represálias e ataques intensificou a rotina de insegurança na Zona Norte carioca.

Na noite da última terça-feira (10), moradores do Campinho e do Morro do Fubá voltaram a relatar tiroteios intensos. Foi o terceiro dia seguido de confrontos na região, demonstrando que a guerra entre as facções está longe de acabar.

Investigação e medo

A Polícia Civil tenta apurar o envolvimento de Kaioba em diferentes ações criminosas na região. Apesar das investigações em andamento, moradores afirmam que a presença das forças de segurança ainda é insuficiente para conter os avanços dos grupos armados.

Enquanto isso, o clima segue tenso. Famílias evitam sair de casa à noite, comércios baixam as portas mais cedo, e o silêncio imposto pelo medo domina vielas que antes eram movimentadas. A morte de Kaioba pode ter sido apenas mais um capítulo de uma disputa territorial marcada por sangue, silêncio e insegurança.

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