O forrozeiro Marcus Lucenna morreu no Rio de Janeiro na última quinta-feira (5), aos 68 anos. Reconhecido como uma das vozes que ajudaram a preservar e divulgar a cultura nordestina na capital fluminense, o artista deixa um legado marcado pela música, pela literatura de cordel e pela atuação cultural na cidade.
O velório está marcado para esta sexta-feira, a partir das 13h, na tradicional Feira de São Cristóvão, espaço que Lucenna administrou durante seis anos e que se tornou um dos principais pontos de encontro da cultura nordestina no Rio. A cerimônia de cremação será realizada após as 17h, em evento reservado aos familiares. A causa da morte não foi divulgada.
Natural de Mossoró, no Rio Grande do Norte, Marcus Lucenna chegou ao Rio de Janeiro ainda jovem, aos 16 anos, com o sonho de construir carreira como cantor de forró. Ao longo dos anos, encontrou na cidade um ambiente fértil para desenvolver seu trabalho artístico e fortalecer a ligação com a comunidade nordestina que vive na capital fluminense.
Grande admirador de Luiz Gonzaga, considerado o Rei do Baião, Lucenna carregava forte influência do mestre em seu estilo musical. Além da música, o artista também incorporava elementos da literatura de cordel em suas apresentações, criando repentes e narrativas que aproximavam o público das tradições do Nordeste.
— O Rio tinha muito nordestino. Naquela época, muitos trabalhavam nas obras do metrô. O Forró Mengão era o lugar que essa massa frequentava. E o Seu Adélio, no Forró Forrado, conseguiu reunir a classe média para dançar, principalmente por causa do João do Vale, que se apresentava lá. Caí nos braços desses dois lugares assim que cheguei. Fui abraçado por grandes baluartes — disse o músico, em entrevista ao jornal O Globo em 2019.
Durante sua carreira, Marcus Lucenna construiu um repertório autoral consistente e lançou diversos discos. Em suas apresentações, costumava misturar músicas próprias com clássicos do forró, mantendo viva a tradição do gênero e criando uma relação direta com o público que frequentava seus shows.
— É tudo muito intuitivo. O forró tem uma coisa dançante. Começamos a tocar e as músicas vão saindo. Dá essa liberdade ao cantor de não seguir um programa no show. É pela emoção que troco com a plateia que o repertório sai.
Além da carreira musical, Lucenna teve papel importante na valorização da cultura nordestina no Rio de Janeiro. Como gestor do Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas — a famosa Feira de São Cristóvão — contribuiu para fortalecer o espaço como um dos maiores polos culturais dedicados à tradição nordestina fora do Nordeste.
Sua atuação também se estendeu para outras áreas da comunicação e da cultura. O artista apresentou programas de rádio, escreveu colunas de jornal voltadas ao universo nordestino e se dedicou à literatura popular. Ele ocupava a cadeira número sete da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.
Marcus Lucenna deixa cinco filhos e quatro netos, além de uma trajetória que marcou gerações de admiradores da música nordestina no Rio de Janeiro.
A morte do artista também reacende a memória de um dos nomes que ajudaram a manter viva a presença cultural do Nordeste na cidade, reunindo música, poesia e tradição em cada apresentação.














