A lendária cantora de jazz Cassandra Wilson, vencedora de dois prêmios Grammy, morreu aos 70 anos nesta quarta-feira (2), em sua casa no Mississippi, nos Estados Unidos. A perda comove os fãs de música do Rio de Janeiro.
A notícia da morte foi confirmada pelo seu empresário, Robert Torre, à rádio americana WBGO e divulgada amplamente pela imprensa internacional. Cassandra faleceu durante a madrugada, cercada por seus familiares e amigos mais próximos. A causa do falecimento não foi divulgada pela família, que pediu privacidade neste momento de dor profunda.
O legado inesquecível de uma das maiores vozes do jazz mundial
Cassandra Wilson não era apenas uma cantora de jazz comum. Dona de uma voz grave, potente e muito expressiva, ela ficou conhecida por revolucionar o gênero ao misturar elementos do blues, do funk, do pop e até da música folclórica americana em suas apresentações. Essa mistura única fez com que ela conquistasse corações pelo mundo inteiro, inclusive no Brasil, onde o jazz sempre teve forte ligação com a bossa nova e a MPB.
Nascida em Jackson, no estado do Mississippi, Cassandra começou sua jornada na música muito cedo. Aos seis anos, já arranhava as primeiras notas no piano. Aos 12, aprendeu a tocar guitarra e começou a compor. Na década de 1980, ela tomou a decisão que mudaria sua vida: mudou-se para Nova York, o coração pulsante do jazz, onde ajudou a fundar o coletivo M-Base ao lado do renomado saxofonista Steve Coleman.
O reconhecimento da crítica e do grande público veio forte nos anos 1990. Em 1993, ela assinou com a lendária gravadora Blue Note, lançando o disco “Blue Light ‘Til Dawn”, que abriu as portas dos grandes festivais internacionais para ela. Em 1997, Cassandra levou seu primeiro prêmio Grammy na categoria de melhor performance vocal de jazz pelo aclamado álbum “New Moon Daughter”. Anos mais tarde, em 2009, ela repetiu o feito ao vencer com o disco “Loverly”, consolidando de vez seu nome na história da música.
Como a música de Cassandra Wilson influenciou os artistas do Rio?
No Rio de Janeiro, a influência de Cassandra Wilson pode ser sentida em diversos cantores e instrumentistas que se apresentam na noite carioca. A mistura que ela fazia de clássicos do jazz com canções de outros estilos — ela chegou a gravar versões belíssimas de Bob Dylan, Neil Young e Cyndi Lauper — serviu de inspiração para muitos artistas locais que misturam o samba, a bossa e o jazz nos palcos da Lapa e de Santa Teresa.
Críticos musicais do Rio destacam que Cassandra tinha uma forma de cantar que parecia uma conversa íntima com o ouvinte, algo muito parecido com o estilo intimista da bossa nova de João Gilberto, embora com a força e o peso de sua voz de contralto. Essa conexão direta com a emoção pura garantiu a ela uma legião de fãs fiéis em solo carioca, que costumavam acompanhar seus lançamentos e suas raras passagens pelo Brasil.
Onde ouvir jazz e prestar homenagens à cantora no Rio de Janeiro?
Para quem deseja prestar uma homenagem e relembrar os grandes sucessos da cantora ouvindo boa música ao vivo, o Rio de Janeiro possui redutos tradicionais do jazz e da bossa nova que costumam incluir o repertório da artista em suas noites. O tradicional Beco das Garrafas, localizado na Rua Duvivier, 37, em Copacabana, é um desses espaços históricos onde o jazz se encontra com a música brasileira de quarta a domingo, a partir das 20h. O telefone para informações é (21) 96800-8683.
Outra excelente opção para os moradores da Região Metropolitana é o Santo Scenarium, no coração do Centro do Rio, na Rua do Lavradio, 36, na Lapa. O local é conhecido por suas noites de jazz tradicional e costuma reunir amantes do gênero em um ambiente nostálgico. As apresentações ocorrem de quinta a sábado, e o contato pode ser feito pelo telefone (21) 3147-9000. É uma oportunidade para os trabalhadores que saem do serviço tomarem um chope e ouvirem canções de jazz.
Quais são os discos essenciais para conhecer a obra de Cassandra?
Se você quer conhecer o trabalho dessa grande artista direto do seu celular ou em vinil, existem três álbuns que são considerados fundamentais por especialistas. O primeiro é “Blue Light ‘Til Dawn” (1993), que marca sua estreia na gravadora Blue Note e traz uma mistura fascinante de ritmos. O segundo é “New Moon Daughter” (1996), vencedor do Grammy, que conta com interpretações marcantes e arranjos acústicos de tirar o fôlego.
Por fim, vale a pena ouvir seu último álbum solo, intitulado “Coming Forth by Day” (2015). Este trabalho foi gravado como uma grande homenagem a outra lenda do jazz, a cantora Billie Holiday, no centenário de seu nascimento. Nele, Cassandra coloca toda a sua maturidade vocal a serviço de clássicos que ganharam roupagens modernas e emocionantes, mostrando que seu talento continuou afiado até o fim de sua carreira.
O que se sabe sobre a despedida e as homenagens oficiais?
Até o momento, a família de Cassandra Wilson não divulgou detalhes sobre as cerimônias de velório e sepultamento. O comunicado emitido por seus representantes pede expressamente que os fãs e a imprensa respeitem a privacidade dos parentes neste momento de recolhimento na cidade de Jackson. Espera-se que, nos próximos dias, grandes nomes do jazz americano e mundial publiquem homenagens e realizem concertos especiais em memória da cantora em Nova York e Nova Orleans, locais onde ela construiu parte importante de sua história na música.















