O ministro Alexandre de Moraes cobra Castro sobre megaoperação em uma reunião reservada realizada nesta terça-feira (3), no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), no Centro do Rio. O encontro, sem acesso da imprensa, tratou da operação policial do último dia 28, que deixou 121 mortos, sendo 117 suspeitos e quatro agentes de segurança, nas comunidades do Complexo do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital.
A reunião teve início no fim da manhã e contou com a presença do secretário de Segurança Pública, Victor Santos, do secretário da Polícia Civil, delegado Felipe Curi, e do secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes. O encontro se estendeu até por volta das 14h e, ao contrário de ocasiões anteriores, não houve pronunciamento oficial após a saída das autoridades.
Moraes, que é relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas, deixou o local de helicóptero, sem falar com jornalistas. A agenda do ministro prevê ainda uma reunião no fim da tarde com o prefeito Eduardo Paes, no Palácio da Cidade.
No domingo (2), Moraes havia determinado a preservação rigorosa de todos os vestígios e elementos materiais da operação, sob fiscalização do Ministério Público, além de reforçar a necessidade de transparência e controle nas ações das forças de segurança.
A decisão faz parte do acompanhamento da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, que estabelece diretrizes para reduzir a letalidade policial no Rio de Janeiro. As normas incluem o uso proporcional da força, a preservação de vestígios, a perícia independente, a instalação de câmeras em viaturas e uniformes, a presença de ambulâncias durante as operações e um plano de reocupação de áreas dominadas por criminosos.
O governador Cláudio Castro já havia criticado publicamente as medidas determinadas pelo Supremo, classificando-as como “malditas” e alegando que as restrições “favorecem o crime organizado”. A reunião com Moraes, portanto, marcou um novo capítulo na tensão entre o Poder Judiciário e o governo fluminense em torno da política de segurança pública no estado.
Até o momento, nem o Palácio Guanabara nem o Supremo Tribunal Federal divulgaram detalhes sobre o teor da conversa ou as próximas medidas relacionadas à operação.














