Moradores de Botafogo protestam contra leilão de terreno de antigo supermercado para projeto da FGV

Moradores de Botafogo

Moradores de Botafogo se mobilizam contra desapropriação de terreno histórico para projeto da FGV

Um protesto realizado neste sábado (20) em Botafogo, na Zona Sul do Rio, reuniu moradores insatisfeitos com a desapropriação de um terreno localizado na Rua Barão de Itambi. O local, que por cerca de 50 anos abrigou supermercados tradicionais, como Sendas e Pão de Açúcar, é alvo de um plano da prefeitura para renovação urbana e posterior leilão.

A comunidade contesta a justificativa de interesse público para a desapropriação, que, segundo a consultoria Geofusion, pode afetar aproximadamente 200 mil moradores de bairros vizinhos. A principal reivindicação dos manifestantes é a manutenção da vocação comercial do espaço e a implantação de um novo supermercado.

A Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (AMAB) critica a falta de diálogo com a comunidade e questiona se o projeto proposto pela prefeitura, que prevê a instalação de um centro de pesquisa em inteligência artificial ligado à FGV, realmente atende aos interesses da população. Conforme informações divulgadas pelo g1 Rio, o caso ainda está em análise judicial, com o leilão do imóvel suspenso por liminar.

Comunidade exige voz em decisão sobre terreno histórico de Botafogo

A presidente da AMAB, Regina Chiaradia, destacou que os moradores se sentem prejudicados pela falta de participação no processo de decisão. “As pessoas não foram ouvidas em nenhum momento e questionam se esse projeto realmente atende ao interesse da população”, afirmou. A associação defende que o imóvel, parte integrante da história e rotina do bairro há décadas, deveria ter sua vocação comercial preservada.

Os manifestantes também levantam dúvidas sobre a legalidade da desapropriação. A prefeitura declarou o terreno de utilidade pública em dezembro do ano passado, visando a renovação urbana e o leilão. No entanto, os organizadores do protesto argumentam que a destinação do terreno para uma instituição privada não justificaria o uso de um instrumento voltado ao interesse coletivo. Eles ressaltam que a FGV já possui sete imóveis na região, reforçando a necessidade de um debate público sobre o uso do espaço urbano.

Decisão judicial suspende leilão e mantém disputa em andamento

O leilão do imóvel está suspenso desde 20 de abril de 2026, por decisão liminar do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), após recurso do Grupo Sendas, proprietário do terreno. A decisão de segunda instância interrompeu o processo de desapropriação até que uma análise mais aprofundada seja realizada. O TJRJ informou que a liminar permanece válida e o mérito da ação ainda não foi julgado, com o processo seguindo em andamento com a apresentação de documentos e alegações pelas partes.

O Grupo Sendas contesta a legalidade da desapropriação, apontando possíveis irregularidades como desvio de finalidade e ausência de justificativa adequada no decreto municipal. A empresa alerta para o risco de prejuízos irreversíveis caso o leilão ocorra antes da conclusão do julgamento. O Ministério Público do Estado também se manifestou contra a realização do leilão.

Grupo Sendas e Prefeitura trocam argumentos sobre o futuro do terreno

Atualmente, o imóvel possui um contrato firmado com o Grupo Mundial para a instalação de um novo supermercado, com projeto aprovado pelo Cade e pedido de licenciamento protocolado na prefeitura. Para o Grupo Sendas, a manutenção da atividade comercial é crucial para garantir o abastecimento da região e preservar a função histórica do espaço, além de atender à demanda local e gerar empregos.

Por outro lado, a Prefeitura do Rio sustenta que o processo de desapropriação está dentro da legalidade e que não há irregularidades. A Procuradoria do Município afirmou que se manifestará nos autos do processo. A Fundação Getulio Vargas foi procurada, mas não havia se pronunciado até a última atualização desta reportagem.

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