Menina morta no Hospital Cardoso Fontes foi sepultada nesta quarta-feira (18), no Cemitério do Pechincha, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, em meio à dor da família e questionamentos sobre o atendimento recebido na unidade de saúde.
A criança, de 3 anos, deu entrada no hospital no último domingo (15) apresentando sintomas como febre, dor abdominal e enjoo. Segundo relato da mãe, o atendimento inicial teria sido rápido e sem a realização de exames mais detalhados.
Em depoimento ao jornal O Dia, a mãe da menina descreveu o momento do primeiro atendimento:
“O médico perguntou o que ela tinha. Eu falei e ele me perguntou se ela tinha alergia a algum remédio. Eu não sabia. Ele fez uma receita e mandou entregar na sala de medicação, para dar um medicamento a ela e colocá-la no soro. Não escutou o coração dela, não a examinou, só perguntou o que ela tinha e passou os remédios”, relatou.
Após apresentar piora no quadro clínico, a criança retornou à unidade de saúde, onde foi internada e precisou ser entubada. Durante a madrugada, sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.
A família esteve no Instituto Médico Legal (IML) Afrânio Peixoto, no Centro do Rio, onde recebeu a informação de que a causa da morte foi meningite. O laudo também apontou sinais de encefalite bacteriana não especificada.
Diante do caso, a Secretaria Municipal de Saúde informou que iniciou uma investigação epidemiológica para apurar as circunstâncias da morte. Em nota, a pasta reconheceu dificuldades no diagnóstico inicial e informou que exames laboratoriais estão sendo realizados para identificar o agente causador da doença.
A Polícia Civil também abriu investigação. O caso está sob responsabilidade da 41ª DP (Tanque), que já solicitou documentos ao hospital e realiza a oitiva de testemunhas para esclarecer os fatos.
O sepultamento foi marcado por forte comoção. Familiares e amigos prestaram as últimas homenagens à criança, com camisetas e lembranças que reforçavam o carinho pela pequena.
Enquanto as investigações seguem, o caso levanta discussões sobre atendimento médico, diagnóstico precoce e os desafios enfrentados por profissionais e pacientes no sistema de saúde.
E em meio à dor, uma pergunta ainda ecoa — o que poderia ter sido diferente para mudar esse desfecho?














