A manifestação da Uerj no TJRJ reuniu, na tarde desta quarta-feira (15), professores, técnicos administrativos e estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O ato ocorreu em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no Centro da capital, e teve como principal objetivo pressionar o governo estadual por recomposição salarial, retomada de direitos e ampliação dos investimentos na instituição.
A mobilização acontece em meio à greve docente e reflete a insatisfação das categorias com as perdas salariais acumuladas ao longo dos últimos anos. Durante a tarde, representantes sindicais e membros da reitoria foram recebidos pelo Executivo estadual para discutir as reivindicações apresentadas pelo movimento.
Segundo o professor da Faculdade de Serviço Social e integrante do comando de greve docente, José Rodolfo, a paralisação é resultado da defasagem salarial provocada pela inflação. “A nossa luta parte de uma avaliação de que a gente tem uma perda com inflação de 110% do nosso salário. A inflação teve 110% de aumento e o nosso salário não teve reajuste”, afirmou.
O docente também ressaltou que um acordo firmado anteriormente não foi integralmente cumprido pelo governo. “Em 2021, a gente teve aprovada uma recomposição salarial em três parcelas. Uma parcela foi paga, as outras parcelas não foram pagas”, declarou.
Além da recomposição salarial, os professores reivindicam a retomada de direitos históricos, como o adicional por tempo de serviço. “O triênio, que é um adicional a cada três anos, foi restringido para novos servidores. Eu, por exemplo, já entro sem esse direito”, explicou José Rodolfo.
Outro ponto central das reivindicações é o orçamento da universidade. De acordo com o professor, a UERJ enfrenta dificuldades financeiras devido à estagnação dos recursos destinados à instituição. “A Uerj tem hoje um orçamento praticamente igual ao de dez anos atrás, mesmo com aumento de estudantes, novos campi e a inflação corroendo o poder de compra”, destacou.
Os técnicos administrativos também aderiram ao movimento e relatam cenário semelhante de perdas salariais. A técnica de enfermagem e conselheira universitária Ana Luiz de Araújo enfatizou a necessidade de reajuste e melhorias estruturais. “A gente está querendo a nossa recomposição salarial, que é aquele ajuste inflacionário que a gente não está recebendo há muitos e muitos anos. Foi negociado, mas não foi cumprido integralmente”, afirmou.
Ela acrescentou que a categoria também reivindica a retomada de auxílios e a implementação de um plano de carreira.
Apesar dos impactos da paralisação, os grevistas defendem que a responsabilidade pela situação recai sobre a ausência de diálogo com o governo estadual. “Ao não atender as nossas reivindicações, o governo acaba prejudicando os estudantes e a população”, concluiu José Rodolfo, ressaltando a importância dos serviços prestados pela universidade, como o atendimento hospitalar e a formação educacional.
A manifestação reforça o papel da UERJ como instituição estratégica para o desenvolvimento social e educacional do estado, além de evidenciar a necessidade de políticas públicas que garantam sua sustentabilidade e valorização de seus profissionais.














