Luciano Valério Pires, de 47 anos, teve sua prisão preventiva decretada após atropelar quatro pessoas na calçada de um bar em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, na noite do último domingo (25). A decisão foi tomada em audiência de custódia na segunda-feira (27), no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), que classificou o caso como tentativa de homicídio qualificado.
De acordo com informações do jornal Extra, o juiz Patrick Couto Xerez Sobral considerou a conduta de Luciano Valério Pires como “de extrema gravidade”, destacando risco à segurança pública, risco de fuga e possibilidade de interferência na investigação. Se condenado, ele pode pegar até 20 anos de prisão.
Entenda o caso
O episódio começou durante uma confraternização em um bar na Rua Alice, quando Luciano Valério Pires iniciou provocações, gritando “Vasco” durante a transmissão de um jogo do Flamengo. Na sequência, começou a gritar “Bolsonaro”, o que teria gerado desconforto nos frequentadores, especialmente na mãe do aniversariante.
Após discussões e até luta corporal, ele saiu do local ameaçando: “Eu vou voltar aqui e vocês vão ver”. Poucos minutos depois, retornou dirigindo um HB20 branco em alta velocidade e atropelou pessoas que estavam na calçada.
“Ele ficou provocando minha mãe, provavelmente não gostou do broche que ela usava, que dizia ‘sem anistia’. Depois começou a incomodar todo mundo”, relatou o aniversariante em depoimento ao jornal O Dia.
Após o atropelamento, Luciano Valério Pires tentou fugir, mas bateu o carro e foi detido por agentes do 2º BPM (Botafogo). Segundo testemunhas, ele ainda saiu da viatura sem algemas e tentou agredir pessoas no local novamente.
A advogada de defesa, Alessandra Pires, sustenta que seu cliente foi vítima de agressão física por cerca de 20 pessoas antes do atropelamento e que o caso teria sido motivado por divergência política. Ela alegou que ele estava muito abalado e mancando no momento da prisão.
Imagens de câmeras de segurança foram anexadas ao inquérito, além de laudos médicos que confirmam as lesões nas vítimas. O exame de alcoolemia realizado em Luciano Valério Pires deu negativo para consumo de álcool. Ele informou à polícia que é diagnosticado com TDAH e faz uso diário de fluoxetina, um antidepressivo.
Decisão da Justiça
Na audiência, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) pediu a conversão da prisão de flagrante em preventiva, destacando a necessidade de garantir a ordem pública e proteger as testemunhas. A defesa solicitou liberdade provisória, o que foi negado.
O juiz entendeu que Luciano Valério Pires não comprovou residência fixa nem atividade profissional lícita, o que aumenta o risco de fuga. Ele também afirmou que a liberdade do acusado poderia comprometer a coleta de provas, já que vítimas e testemunhas ainda precisam ser ouvidas formalmente.
O acusado segue preso à disposição da Justiça, aguardando os próximos desdobramentos do processo, que tramita por tentativa de homicídio qualificado, crime previsto no art. 121, §2º, incisos II e IV, c/c art. 14, II, do Código Penal Brasileiro.














