Ligação entre recicladoras e CV é revelada em esquema de furto de cabos

Delegados da Polícia Civil

A Operação Caminhos do Cobre revelou, nesta quinta-feira (24), uma complexa rede criminosa que envolve recicladoras, ferros-velhos, metalúrgicas e o Comando Vermelho (CV) em um esquema de furto de cabos, receptação e lavagem de dinheiro. A ação da Polícia Civil resultou na prisão de cinco integrantes da quadrilha, que teria movimentado cerca de R$ 200 milhões entre o Rio de Janeiro e São Paulo.

Segundo o secretário de Estado da Polícia Civil, delegado Felipe Curi, a primeira fase da Operação Caminhos do Cobre já havia identificado indícios da participação de empresas no esquema, mas, à época, os crimes estavam ligados apenas à receptação — delito considerado de menor gravidade. Agora, com novas provas, os empresários e demais envolvidos foram indiciados por organização criminosa, lavagem de dinheiro e outros crimes mais severos.

“Isso é inédito. Sabíamos da ligação, mas agora temos uma investigação criteriosa que provou essa conexão direta entre empresas e a facção criminosa”, afirmou Curi em depoimento ao jornal O Dia.

O esquema, segundo as autoridades, funciona como um ciclo criminoso bem estruturado. O furto inicial é geralmente praticado por pessoas em situação de vulnerabilidade social, como usuários de drogas. Esses cabos furtados são repassados a pequenos ferros-velhos, que, por sua vez, negociam o material com recicladoras e empresas de médio porte. A partir daí, o cobre é transformado em matéria-prima e vendido para grandes indústrias e metalúrgicas. O material retorna ao mercado formal, até ser novamente alvo de furtos, perpetuando o ciclo ilegal.

“Geralmente, um usuário de drogas furta um pedaço de cabo e leva para um ferro-velho. Esse ferro-velho repassa para uma recicladora, que vende para grandes indústrias. Depois, esse material volta como cabo novo e é furtado novamente. É um ciclo vicioso alimentado por empresários que lucram com essa prática”, explicou Curi.

O delegado André Neves, Diretor Geral do Departamento de Polícia Especializada, destacou que, nesta fase da Operação Caminhos do Cobre, os empresários serão devidamente responsabilizados. “Quem fomenta essa indústria criminosa é o empresariado que adquire os produtos furtados. Se antes respondiam apenas por receptação, agora serão enquadrados por crimes mais graves, como lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa”, afirmou Neves.

A motivação para o interesse do tráfico de drogas nesse tipo de crime está no alto valor do cobre no mercado internacional. De acordo com o delegado Carlos Oliveira, da Subsecretaria de Planejamento e Integração Operacional, a tonelada do metal pode alcançar até 15 mil dólares ainda este ano.

“O cobre se tornou uma fonte de lucro altamente atraente para organizações criminosas como o Comando Vermelho. Além do tráfico, elas passaram a dominar essa cadeia de furto e comercialização clandestina de cobre”, destacou Oliveira.

A Operação Caminhos do Cobre evidencia a sofisticação de esquemas criminosos que vão além das ações isoladas de furto. A integração entre o tráfico de drogas e o setor empresarial irregular escancara um mercado clandestino bilionário, com forte impacto na economia e nos serviços públicos, afetados pela constante reposição de cabos furtados.

A Polícia Civil segue com as investigações para identificar outros envolvidos e desmantelar totalmente a estrutura que sustenta esse ciclo criminoso. As autoridades reforçam o alerta para empresários que insistem em operar à margem da lei, garantindo que novas ações serão realizadas para coibir práticas semelhantes.

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