O Governo do Rio lançou um novo edital para a compra de um helicóptero Black Hawk blindado, elevando o valor previsto de R$ 64 milhões para R$ 72 milhões, após a primeira tentativa não atrair fornecedores. A licitação foi reaberta nesta quarta-feira (26) e segue aberta para propostas até 10 de dezembro.
A aquisição é destinada à Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) e inclui não apenas a aeronave, mas também o treinamento das equipes e suporte técnico contínuo. Na rodada anterior, aberta em julho, nenhuma empresa apresentou proposta, o que levou à suspensão do processo.
Segundo o edital, a aeronave precisa atender a uma série de requisitos, como transportar até 12 operadores — considerando peso de agente e equipamentos —, operar tanto por voo visual quanto por instrumentos e oferecer blindagem resistente a disparos de armas calibre 7,62x51mm NATO. Outro critério é a fabricação após 1990 e o limite máximo de 6 mil horas de voo acumuladas.
Entre as exigências técnicas adicionais estão a capacidade de transportar cargas externas de até 1.400 kg por meio de gancho, compatibilidade com o bambi bucket — usado no combate a incêndios — e um gancho para içamento de pessoal. A cabine deve ser equipada com glass cockpit, ou seja, displays integrados de navegação e controle. A pintura precisa seguir o padrão verde OTAN, semelhante ao utilizado pelo Exército dos Estados Unidos.
O edital não menciona suporte para metralhadoras fixas, já que o Exército brasileiro, por meio do Comando de Logística (COLOG), não autoriza o uso desse tipo de armamento por forças policiais estaduais. Atualmente, a Força Aérea Brasileira opera o Black Hawk com metralhadoras rotativas, enquanto Exército e Marinha utilizam modelos Airbus H225M Caracal para tiros laterais.
Especialistas apontam que a falta de interessados no primeiro edital pode estar ligada aos custos de homologação do Black Hawk junto à ANAC, que ficam sob responsabilidade do fornecedor. Embora modelos semelhantes possam ser encontrados no mercado civil dos Estados Unidos por valores inferiores, muitos deles não atendem às especificações exigidas pela PMERJ.
Há também a possibilidade de compra de aeronaves usadas diretamente dos estoques das Forças Armadas americanas, dentro de programas de desmobilização, mas esse tipo de operação depende de acordos específicos e processos adicionais, o que pode afastar concorrentes.
Com o novo valor e as exigências detalhadas, o governo espera atrair empresas aptas a fornecer o helicóptero e reforçar a capacidade operacional da corporação em missões de segurança e apoio tático.














