MP e PF realizam ação contra rede criminosa que movimentou R$ 2 bilhões em lavagem de dinheiro do jogo do bicho e máquinas de azar.
Uma grande operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Federal foi deflagrada nesta quarta-feira (29) para desarticular um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, com fortes ligações à exploração do jogo do bicho e de máquinas caça-níqueis. A ação resultou em prisões e apreensões em diversos estados do país.
As investigações apontam que o grupo criminoso utilizava métodos sofisticados para dar uma aparência de legalidade a valores obtidos de forma ilícita. A mobilização de recursos ultrapassa a marca de R$ 2 bilhões, levantando suspeitas sobre a extensão e o poder financeiro da organização.
As autoridades cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. O foco principal era desmantelar a estrutura que permitia a movimentação e ocultação de grandes quantias de dinheiro. Conforme informações divulgadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, o esquema movimentou cerca de R$ 2 bilhões entre janeiro de 2019 e março de 2026.
Pai e filho são presos em São Paulo como braços do esquema
Um homem e seu filho foram detidos em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, suspeitos de serem peças chave na operação de lavagem de dinheiro. Segundo as apurações, a dupla administrava uma empresa de fachada no ramo da construção civil, que servia como fachada para ocultar e movimentar os recursos ilícitos provenientes dos jogos de azar no Rio de Janeiro.
Empresas de fachada e saques fracionados como tática de lavagem
O Ministério Público detalhou que o grupo empregava diversas táticas para legitimar o dinheiro sujo. Entre elas, estavam o uso de máquinas de cartão instaladas em bancas de jogo do bicho, a criação de empresas fictícias e a realização de saques fracionados em dinheiro. Essas ações visavam despistar as autoridades e simular transações comerciais lícitas.
A Polícia Federal revelou que, do montante total de R$ 2 bilhões movimentados em contas bancárias investigadas, aproximadamente R$ 100 milhões teriam sido sacados em espécie. Essa estratégia de saques em dinheiro vivo é uma prática comum em esquemas de lavagem de dinheiro para dificultar o rastreamento.
Bloqueio de bens e crimes investigados
A Justiça determinou o bloqueio de bens de 18 pessoas físicas e jurídicas envolvidas no esquema. A medida abrange contas bancárias, imóveis, veículos e até mesmo criptoativos, demonstrando a abrangência da operação financeira ilícita. Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, infrações graves que acarretam severas penas.
Operação abrange múltiplos estados e visa desarticular a rede
A ação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Federal cumpriu, ao todo, nove mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão. Os alvos estavam localizados em São José do Rio Preto (SP), Guapimirim (RJ), Rio de Janeiro (RJ) e Campo Grande (MS). Quatro das prisões ocorreram na cidade paulista, evidenciando a capilaridade do esquema criminoso.














