Laudo aponta tortura contra criança na Ilha do Governador

Israel Lima Gomes preso

Um laudo aponta tortura no caso de uma menina de 4 anos internada em estado grave na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio. O documento elaborado pelo Instituto Médico Legal contradiz a versão da mãe, que alegou que a criança teria se ferido após uma queda. O padrasto da menina foi preso e a mãe é investigada por possível omissão.

De acordo com Henrique Coelho, do portal g1 Rio, a criança deu entrada no hospital com o intestino perfurado e um dos braços quebrado. O laudo médico concluiu que os ferimentos não são compatíveis com uma queda acidental, mas sim com agressões de origem traumática. A vítima permanece internada e intubada no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), da UFRJ.

A perícia também identificou uma lesão duodenal, explicando os vômitos esverdeados descritos pela mãe durante depoimento à polícia. Diante da gravidade do quadro clínico e das evidências, Israel Lima Gomes, padrasto da criança, foi preso na sexta-feira (16), acusado de tortura.

A mãe da menina, embora não tenha sido presa, está sendo investigada pela 37ª DP (Ilha do Governador). A polícia apura se ela participou diretamente das agressões ou se foi omissa ao não denunciar os maus-tratos. O delegado responsável pelo caso, Felipe Santoro, explicou que o comportamento da mãe levanta suspeitas sobre sua atuação.

— A gente está apurando se ela participou das torturas ou se agiu de forma negligente, deixando de comunicar à polícia e aos órgãos de saúde, e se essa atuação negligente dela foi por medo dele, de alguma ameaça, ou se agiu para proteger esse criminoso em detrimento da filhadisse o delegado.

As investigações apontam que a criança dormia sozinha com o padrasto, fato que reforça as suspeitas de negligência. Mensagens encontradas no celular da mãe indicam que ela sabia das agressões. Em um dos trechos, ela confronta Israel dizendo:
“Eu vi você dando uma joelhada nela só porque ela não queria comer.” Israel nega a agressão e responde com palavrões.

Apesar do conteúdo das mensagens, a polícia optou por não pedir a prisão da mãe, entendendo que, por ora, ela não oferece risco às investigações. No entanto, o inquérito segue em andamento, e a responsabilização por omissão não está descartada.

A prisão do padrasto foi decretada após a confirmação das lesões internas incompatíveis com a versão da queda. O laudo do IML, aliado aos depoimentos e mensagens, reforça a tese de tortura.

— Os laudos apontam para lesões graves no abdômen, incompatíveis com a versão apresentada. A mãe afirma que não sabia, diz ter agido por medo. Mas, como em tantos outros casos, a consequência é a mesma: uma criança gravemente ferida, internada em estado crítico, vítima de agressões que se assemelham a sessões de torturaconcluiu o delegado Santoro.

O caso mobilizou equipes da Polícia Civil e profissionais da saúde, que atuam para garantir o tratamento da vítima e a responsabilização dos envolvidos. Ainda não há previsão de alta da criança, que segue em estado grave.

A sociedade civil acompanha com atenção o desdobramento do caso, que volta a expor a fragilidade de crianças em ambientes domésticos violentos e a importância de denúncias rápidas para evitar tragédias.

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