Rogério Andrade no presídio federal seguirá por mais um ano em regime especial de isolamento. A Justiça do Rio confirmou a permanência do contraventor na unidade federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, após um alerta do Gaeco sobre o risco de manutenção de liderança criminosa caso ele voltasse ao estado. A decisão foi assinada pela juíza-corregedora substituta Franscielle Martins Gomes Medeiros, que analisou o caso nesta quarta-feira e renovou o Regime Disciplinar Diferenciado até novembro de 2026.
A medida chega poucos dias depois de uma reviravolta no Tribunal de Justiça do Rio. Há cerca de duas semanas, a Oitava Câmara Criminal havia suspendido o RDD, abrindo caminho para que o bicheiro retornasse ao Rio. O relator, desembargador Marcius da Costa Ferreira, acolheu parte dos argumentos apresentados pela defesa, que buscava também derrubar a prisão preventiva. O processo está relacionado à acusação de que Rogério teria ordenado a morte do rival Fernando Iggnácio em 2020, no Aeroporto de Jacarepaguá, em meio à disputa pelo controle do jogo do bicho e das máquinas caça-níqueis na Zona Oeste.
A possibilidade de retorno ao estado, porém, durou pouco. O Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público do Rio, contestou a decisão da Oitava Câmara, apresentou nova ação penal e reforçou o pedido para que Rogério permanecesse em Campo Grande. Paralelamente, já tramitava na 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa um processo que atribui ao contraventor crimes de extorsão e lavagem de dinheiro.
Para o Gaeco, Rogério continua influente e seria capaz de manter a articulação de atividades ilícitas mesmo preso no Rio. Os promotores defendem que sua presença no sistema penitenciário estadual não reduziria sua capacidade de liderança, nem enfraqueceria seu alcance sobre subordinados e agentes públicos envolvidos nas investigações.
Ao fundamentar sua decisão, a juíza-corregedora substituta reforçou que cabe ao juízo de origem avaliar a necessidade de manter o preso no sistema federal. Segundo ela, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça impede que a unidade federal reavalie o mérito da determinação tomada pela Justiça estadual. Documentos anexados pelo Gaeco afirmam que Rogério representa “ameaça concreta e relevante” à segurança do estado, enquanto um parecer do Ministério da Justiça o classifica como alguém que “ostenta periculosidade ímpar” e mantém influência sobre agentes públicos.
A legislação federal prevê renovações sucessivas de permanência em presídios federais por períodos de três anos, desde que persistam os riscos que motivaram a transferência. Rogério foi preso em 29 de outubro do ano passado por equipes do Gaeco e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência, sendo levado para Campo Grande em 12 de novembro. Ele já havia passado pela mesma unidade entre 2007 e 2008, acusado também de extorsão e lavagem de dinheiro.
Com a nova determinação, Rogério permanecerá isolado e sob monitoramento rigoroso no presídio federal, afastado da estrutura que, segundo as investigações, ainda o cerca no Rio. O período de renovação vai de 25 de novembro de 2025 a 24 de novembro de 2026. A defesa de Rogério Andrade foi procurada, mas ainda não se manifestou.














