Justiça do Rio suspende liberdade condicional do ex-goleiro Bruno

Goleiro Bruno retorna ao Maracanã

A liberdade condicional do ex-goleiro Bruno foi suspensa nesta sexta-feira (6) por decisão da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, após pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A medida atinge o ex-jogador que teve passagem pelo Flamengo e pela seleção brasileira.

Condenado a 23 anos e um mês de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, sequestro, cárcere privado e lesão corporal contra Eliza Samudio, o ex-goleiro precisava comparecer ao Conselho Penitenciário para oficializar o livramento condicional. Segundo a decisão judicial, as intimações enviadas para comunicação do benefício retornaram sem cumprimento.

Diante disso, o juízo determinou o prazo de cinco dias para que Bruno se apresente. Caso não haja comparecimento dentro do período estipulado, poderá ser expedido mandado de prisão.

Nos últimos dias, o ex-atleta publicou vídeos nas redes sociais durante uma visita ao entorno do Maracanã, onde acompanhou como torcedor a partida entre Flamengo e Internacional, válida pelo Campeonato Brasileiro. Nas gravações, ele comentou a expectativa para o jogo e relembrou o período em que atuou pelo clube.

Vamos, galera, hoje é dia de jogão. Flamengo e Internacional. Três pontos, pai. Tenho certeza que vai dar certo. Estou de frente para o palco. Alô, nação rubro-negra, vamos que vamos para cima. Partiu, bora, afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais.

Bruno defendeu o Flamengo entre 2006 e 2010, período em que conquistou títulos e chegou a ser capitão da equipe. Em 2013, foi condenado pelos crimes relacionados ao desaparecimento e à morte de Eliza Samudio, com quem teve um filho. O ex-goleiro deixou o regime fechado em 2019 e, em 2021, teve a execução penal transferida para o Rio, passando a cumprir regime semiaberto domiciliar. Em janeiro de 2023, a Justiça concedeu o livramento condicional.

Após sair da prisão, o ex-jogador tentou retomar a carreira no futebol. Aos 41 anos, o último clube foi o Capixaba Sport Clube, do Espírito Santo, de onde foi desligado recentemente.

A decisão judicial ocorre na mesma semana em que o estado do Rio voltou a discutir medidas de combate à violência contra mulheres. Na quarta-feira (4), a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro aprovou um projeto de lei que prevê multa para agressores, com valores entre R$ 500 e R$ 500 mil, de acordo com a gravidade do caso e os custos de atendimento às vítimas, com previsão de dobrar em caso de reincidência.

Dados da Secretaria de Estado de Saúde indicam que, até agosto do ano passado, dos 42.152 registros de agressão em unidades de saúde, 73,5% tiveram mulheres como vítimas, e cerca de 42% dos casos foram reincidentes. Também nesta semana, uma agente de saúde de 25 anos foi morta a tiros em frente a uma unidade da Faetec, em Quintino, na Zona Norte, segundo a Polícia Civil, pelo ex-namorado da vítima.

Limpatech