A juíza que tornou Oruam réu por tentativa de homicídio qualificada contra policiais civis é viúva do agente da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) João Pedro Marquini, morto em março deste ano durante uma ação de criminosos ligados ao Comando Vermelho, na Zona Oeste do Rio. Tula Correa de Mello, titular da 3ª Vara Criminal, aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e ainda expediu nova ordem de prisão preventiva contra o rapper.
O policial foi atingido por disparos durante uma tentativa de assalto na Grota Funda, no dia 30 de março. Ele estava em um carro blindado à frente da esposa, que seguia logo atrás em outro veículo. Os criminosos, que haviam deixado a Ladeira dos Tabajaras após um ataque à comunidade do Antares, pretendiam roubar os automóveis para escapar sem chamar atenção — já que o carro usado por eles estava com marcas de tiros.
Em depoimento emocionado nas redes sociais, Tula lamentou a morte do marido. “As pessoas me perguntam com frequência ‘Como você está?’. Estou indo; estou bem. Mas a verdade é que eu jamais estive bem. Como suportar ver seu amor ir embora, sem chance de despedida. Como entender tanta crueldade. Na vida de quem sempre lutou por justiça”, escreveu.
A nova denúncia aceita pela juíza envolve o rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, que já responde a outros sete crimes — entre eles tráfico, associação para o tráfico, ameaça e lesão corporal. Desta vez, ele é acusado de atirar pedras de até 4,85 kg contra agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), impedindo o cumprimento de mandados em sua casa no Joá. A ação ocorreu no dia 21 de julho.
Segundo o MPRJ, os réus assumiram o risco de causar mortes ao atacarem os policiais com objetos pesados e perigosos, o que configurou dolo eventual. Oruam é filho de Marcinho VP, um dos chefes do Comando Vermelho, e estava com amigos no momento da ação.














