A partir deste sábado (2), o cartão Jaé no transporte municipal do Rio de Janeiro passa a ser o único bilhete eletrônico aceito em ônibus municipais, BRTs, VLTs, vans e cabritinhos — todos os modais sob responsabilidade da prefeitura. Apesar da mudança, quase metade dos passageiros ainda não concluiu a migração para o novo sistema. Segundo dados do painel de monitoramento da prefeitura, dos 1,6 milhão de embarques registrados ontem, cerca de 761 mil ainda foram realizados com o antigo Riocard, que já não é mais aceito nesses meios.
O novo sistema de bilhetagem representa uma mudança significativa na mobilidade urbana da cidade. Para viabilizar a transição, validadores do Jaé já começaram a ser instalados em estações de metrô, fruto de um acordo entre a prefeitura, o governo estadual, o MetrôRio e a plataforma Jaé. A integração completa do sistema ainda está em andamento e incluirá vans intermunicipais e trens. A licitação das linhas de ônibus começará em dezembro, pelas zonas de Campo Grande e Santa Cruz.
De acordo com a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), o valor de recargas do novo cartão teve um salto de 672% em julho. “Houve um crescimento no valor de recarga de 672% em relação ao mês anterior (junho). Empresas carregaram em julho os cartões dos funcionários. É natural e esperado que nestes últimos dias antes da fase exclusiva do Jaé nos modos de transporte municipais que as pessoas gastem o valor que ainda têm no cartão RioCard”, informou a pasta.
A fase de adaptação, no entanto, tem gerado dúvidas e filas nos postos de atendimento. Passageiros relataram atrasos na entrega dos cartões pelas empresas, dificuldades no uso do app e receio de perder o saldo remanescente no Riocard. Quem ainda não recebeu o cartão físico não consegue ativar o Jaé digital, pois o código de ativação vem em uma carta entregue junto com o bilhete.
“O ‘frescão’ é caro, e o Jaé da empresa não vai suprir meus gastos. Eu vinha acumulando crédito no Riocard. Agora tenho medo de perder tudo. Esse valor vai sumir? Como vou trabalhar se meu cartão novo não chegou? A empresa não dá retorno”, relatou a publicitária Clécia Ramos, de 42 anos, moradora de Campo Grande, em entrevista ao jornal O Globo.
Quem utiliza transportes intermunicipais como trem, metrô e barcas continuará podendo usar o Riocard, que permanece ativo nesses modais. Já nos serviços municipais, é possível pagar em dinheiro, com exceção do VLT, que só aceita cartão. Passageiros podem solicitar reembolso do saldo do Riocard, inclusive de vale-transporte, desde que apresentem os documentos exigidos.
Além do cartão físico preto (personalizado com CPF), o Jaé também possui versão digital e um modelo verde avulso, vendido em máquinas de autoatendimento. Estudantes, idosos, pessoas com deficiência e doentes crônicos têm direito ao cartão amarelo, de gratuidade.













