Jacqueline Muniz pede proteção após críticas à operação que deixou 121 mortos

Jacqueline Muniz

A antropóloga e professora do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jacqueline Muniz, pediu proteção ao Programa de Defensores de Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos após ser alvo de ameaças e ataques virtuais. O motivo foi sua crítica à Operação Contenção, que resultou em 121 mortes nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.

De acordo com informações da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Muniz enfrenta uma onda de intimidação desde que se manifestou publicamente contra a ação policial. Em entrevista ao jornal, ela afirmou que “há três décadas a cidade usa a guerra contra o crime para ganhar eleição”, e classificou a operação como uma estratégia política.

O pedido de proteção foi formalizado pelo gabinete do vereador Leonel de Esquerda (PT), presidente da Comissão de Favelas da Câmara do Rio, e pelo advogado Carlos Nicodemos, membro do Conselho Nacional de Direitos Humanos. Ambos destacaram que as ameaças colocam em risco a integridade física e emocional da pesquisadora.

Nas redes sociais, Jacqueline relatou episódios de perseguição, como ter sido fotografada em um restaurante e receber mensagens incitando violência, entre elas “dá uma pedrada nela”. Ela atribui os ataques à mobilização de parlamentares bolsonaristas, incluindo os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO), que a criticaram publicamente.

Em nota, a UFF expressou solidariedade à docente, repudiando os ataques e reforçando seu compromisso com a liberdade acadêmica e o combate à misoginia e aos discursos de ódio. A universidade também ressaltou que a crítica e o debate público são pilares da democracia e não devem ser silenciados por intimidação.

Criado em 2019, o Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos tem como objetivo garantir a segurança de pessoas ameaçadas por sua atuação na defesa dos direitos fundamentais. O órgão acompanha casos de jornalistas, ativistas, ambientalistas e pesquisadores que enfrentam situações de risco devido à sua atuação pública.

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