A influência de Oruam sobre os jovens foi um dos principais argumentos da juíza que decidiu torná-lo réu por tentativa de homicídio. Segundo a magistrada, o comportamento do cantor representa uma inversão de valores na sociedade e estimula a rejeição às forças de segurança. A decisão menciona que a conduta de Oruam vai além da agressão física e provoca um impacto social grave.
Ações como as dos acusados, em especial o acusado Oruam, repercutem de modo tão negativo na sociedade que incitam a população à inversão de valores estabelecida contra as operações feitas por agentes de segurança pública, escreveu a juíza. Ela também destacou que, por ser uma figura pública com apelo entre os jovens, o artista pode passar a ideia de que enfrentar a polícia é aceitável. Por isso, considerou necessária a prisão preventiva como forma de preservar a paz pública.
Pedras contra policiais e postagens nas redes
A denúncia do Ministério Público foi baseada em relatos que apontam que Oruam e outros homens atiraram pedras de uma altura de 4,5 metros contra policiais militares durante uma operação no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Uma das pedras, que pesava 4,85 kg, atingiu um agente nas costas. De acordo com laudos anexados ao processo, o impacto de uma dessas pedras poderia ultrapassar 9 mil newtons — quase o dobro do necessário para fraturar o crânio.
Além do ataque físico, o cantor fez publicações nas redes sociais incitando a violência e desafiando os agentes que participavam da operação. Para o Ministério Público, o conjunto das ações configura tentativa de homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe e meio cruel, podendo ser enquadrado na Lei dos Crimes Hediondos.
A operação da PM tinha como objetivo apreender um adolescente apelidado de “Menor Piu”, apontado como segurança de um chefe do Comando Vermelho e suspeito de envolvimento em roubos de veículos. Segundo a Promotoria, Oruam teria reagido após a apreensão do menor.
Defesa denuncia abuso e perseguição
A defesa de Oruam nega as acusações e sustenta que não houve tentativa de homicídio. Em nota, os advogados afirmam que o cantor reagiu em um “momento de extremo desespero e legítima defesa”, alegando que ele e familiares foram ameaçados e agredidos por policiais que não apresentaram mandado e utilizavam veículos sem identificação.
Segundo a defesa, a operação foi irregular, por ter ocorrido fora do horário permitido por lei e sem autorização judicial, o que caracterizaria abuso de autoridade. Desde o início, a ação tem sido marcada por violações dos procedimentos estabelecidos por lei, criando uma narrativa distorcida para criminalizar um artista que é, na verdade, um cidadão, afirmou a assessoria jurídica do cantor.
Oruam se apresentou à polícia no dia 22 de julho, após permanecer foragido por algumas horas. Ele responde agora por oito crimes, entre eles: tentativa de homicídio, tráfico de drogas, associação para o tráfico, resistência qualificada, desacato, ameaça, dano qualificado e lesão corporal.














