O Incêndio no Shopping Tijuca teve seus momentos finais registrados por câmeras de segurança, que mostram a evacuação do público e a atuação da equipe interna durante o combate às chamas no subsolo do centro comercial, na Zona Norte do Rio. As imagens, obtidas pela reportagem, também registram os últimos minutos da brigadista Emellyn Silvia Aguiar Menezes, de 26 anos, e do segurança Anderson Aguiar, de 43, que morreram no local.
Os registros indicam que o botão de pânico da loja onde o incêndio começou foi acionado às 18h04. Poucos minutos depois, Emellyn se equipou em uma sala no quarto piso e seguiu para o subsolo com outro brigadista. Naquele momento, a equipe disponível era composta por três profissionais.
Enquanto isso, no subsolo, o chefe da segurança, Anderson Aguiar, tentava iniciar o combate ao fogo sozinho, levando mangueiras até a loja em chamas. As imagens mostram clientes ainda circulando pelo corredor, sem isolamento imediato da área. Em alguns pontos, a evacuação só começou de forma mais direta cerca de 11 minutos após o alerta inicial.
Por volta das 18h20, Emellyn e outro brigadista entraram na loja onde o fogo havia se intensificado. Minutos depois, a fumaça começou a se espalhar pelo subsolo. As câmeras registram mangueiras estendidas, aparentemente sem fluxo de água adequado, e a movimentação intensa da equipe de segurança.
Cerca de 15 minutos após a entrada dos brigadistas, um deles saiu cambaleando da loja. Anderson, que havia retornado ao local na tentativa de resgate, entrou novamente no interior da loja e não voltou a aparecer consciente nas imagens. A chegada do Corpo de Bombeiros ocorreu às 18h39, aproximadamente meia hora após o acionamento do botão de pânico.
Em depoimento à polícia, o chefe da equipe de brigadistas relatou que Anderson retornou ao local quando a fumaça já estava densa para tentar retirar duas brigadistas que haviam ficado para trás. “Ele conseguiu orientar a saída de uma delas e voltou para procurar a outra. Foi nesse momento que desmaiou”, afirmou, em depoimento à polícia.
O corpo de Emellyn foi encontrado na madrugada seguinte, e a perícia apontou asfixia como causa da morte. A mãe da brigadista afirmou que a filha demonstrava preocupação com a quantidade de oxigênio disponível nos cilindros usados pela equipe. “Ela dizia que um dos cilindros estava muito leve e que a máscara apresentava defeitos”, relatou, em depoimento à polícia.
Já o diretor de operações da empresa CM Couto, responsável pelos brigadistas do shopping, afirmou que os equipamentos haviam sido supervisionados meses antes do incêndio. “Os cilindros possuem dispositivo de alerta e o tempo de uso varia entre 20 e 30 minutos, conforme orientação técnica”, disse, em depoimento à polícia.
As imagens analisadas pela investigação também mostram que, mesmo após o início do incêndio e com a presença dos bombeiros, o estacionamento e algumas entradas do shopping continuaram abertos. Há registros de clientes entrando no local cerca de 40 minutos depois do início do fogo.
Em nota, a administração do Shopping Tijuca informou que os protocolos de emergência foram cumpridos e que cerca de 7 mil pessoas foram evacuadas com segurança. “O subsolo foi evacuado em 12 minutos, antes da chegada dos bombeiros, e os demais pisos foram esvaziados de forma gradual”, afirmou o shopping, acrescentando que colabora com as investigações.
O caso é apurado pela 19ª DP (Tijuca), que investiga as circunstâncias do incêndio, o funcionamento dos equipamentos de combate ao fogo e os procedimentos adotados durante a evacuação. O shopping foi reaberto ao público, com áreas do subsolo e do primeiro piso permanecendo interditadas pela Defesa Civil.














