Um homem foi preso em flagrante nesta segunda-feira em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, acusado de estuprar e agredir os próprios filhos. A prisão aconteceu após denúncia do Conselho Tutelar para a Força Municipal.
A ação começou no início da tarde, por volta das 14h40, quando conselheiros tutelares acionaram os agentes municipais. O órgão recebeu relatos graves sobre maus-tratos praticados pelo pai contra as crianças dentro da própria residência do acusado.
Como funcionava a rotina de abusos e a prisão em Santa Cruz
De acordo com a apuração da polícia, os pais das vítimas mantinham um regime de guarda compartilhada. As crianças passavam sete dias intercalados na casa do pai e outros sete dias na casa da mãe.
Foi durante esses períodos de convivência com o pai que as agressões aconteciam. A mãe relatou que os filhos sofriam violência física, verbal e psicológica constantemente. Além dos abusos sexuais contra as crianças, o homem fazia ameaças frequentes contra a ex-companheira.
Com base nos relatos das vítimas e da equipe do Conselho Tutelar de Santa Cruz, os agentes da Força Municipal localizaram o suspeito e o conduziram para a 36ª DP (Santa Cruz). Na delegacia, a prisão em flagrante foi confirmada pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual e maus-tratos.
Guarda compartilhada e ameaças contra a mãe
A mãe das crianças compareceu à delegacia do bairro para prestar depoimento e formalizou o pedido de medidas protetivas de urgência. Ela teme pela própria integridade física e pela segurança dos filhos, já que o ex-companheiro mantinha uma postura agressiva.
As medidas protetivas são garantidas por lei e visam afastar o agressor do convívio familiar, proibindo qualquer tipo de aproximação ou contato. A Polícia Civil encaminhou o caso para avaliação da Justiça do Rio de Janeiro, que deve definir o futuro da custódia das crianças.
As vítimas receberão acompanhamento psicológico e social oferecido pela rede de proteção do município do Rio de Janeiro. A intenção é amenizar os impactos dos traumas sofridos durante o período em que estiveram sob os cuidados do pai.
Aumento nos casos de violência infantil na Zona Oeste
A prisão realizada em Santa Cruz acende mais um alerta sobre a violência contra crianças no ambiente familiar na Zona Oeste. Recentemente, a região foi palco de outros episódios graves investigados pelas autoridades policiais.
Em agosto, um homem de 46 anos acabou condenado a 20 anos de prisão após abusar da própria filha ao longo de cinco anos. O crime começou quando a menina tinha apenas 6 anos e só foi descoberto após a vítima conseguir pedir ajuda à mãe.
Em outro caso recente registrado na capital, um bebê de apenas 3 meses precisou ser internado em estado grave devido a agressões cometidas pelo pai. A criança sofreu fraturas e complicações neurológicas graves, resultando na prisão do agressor por maus-tratos qualificados.
Como denunciar abusos e maus-tratos contra crianças
A participação da comunidade é fundamental para combater crimes contra crianças e adolescentes. Qualquer pessoa que suspeite de agressões ou abusos deve acionar os canais oficiais imediatamente.
O Disque Denúncia do Rio de Janeiro atende pelo telefone 2253-1177 com garantia de anonimato total, funcionando 24 horas por dia. Também é possível registrar relatos pelo aplicativo do serviço ou pelo site oficial.
Em situações de emergência ou flagrante, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190. O Conselho Tutelar de Santa Cruz e de outros bairros da Zona Oeste também recebem denúncias presenciais de segunda a sexta-feira.
O que fazer se você foi vítima ou precisa de ajuda
Mulheres e familiares que sofrem ameaças ou agressões podem procurar a delegacia mais próxima para registrar o boletim de ocorrência. Na Zona Oeste, a 36ª DP fica localizada em Santa Cruz e faz o atendimento inicial de casos do bairro.
Para atendimento especializado à mulher vítima de violência doméstica, existe a Central de Atendimento à Mulher pelo número 180. O serviço é gratuito, confidencial e orienta sobre direitos e locais de acolhimento na cidade do Rio de Janeiro.
Pedidos de medida protetiva de urgência podem ser solicitados diretamente ao delegado durante o registro da ocorrência ou com o apoio da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.















