Haddad critica Cláudio Castro e diz que governo do Rio “não tem feito praticamente nada”

Fernando Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez duras críticas ao governo do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (29), ao afirmar que a gestão de Cláudio Castro “não tem feito praticamente nada” para combater fraudes no setor de combustíveis — um dos principais esquemas de financiamento do crime organizado no estado.

Durante entrevista coletiva, Haddad destacou que a sonegação e a adulteração de combustíveis representam uma das maiores fontes de receita para grupos criminosos. Segundo ele, a falta de ação do governo fluminense tem comprometido o trabalho da União no combate a essas práticas. “Nós, da Fazenda, estamos atuando forte no Rio de Janeiro contra o crime organizado. Na minha opinião, da maneira mais eficaz, que é a questão dos combustíveis. Mas o governador deveria nos ajudar. Hoje o Estado do Rio não tem feito praticamente nada em relação ao contrabando de combustível”, afirmou o ministro.

Haddad ressaltou que a articulação entre Receita Federal, Ministério da Fazenda e governos estaduais é essencial para enfraquecer o crime organizado. Ele reforçou que parte significativa dos recursos ilegais que sustentam as facções criminosas no Rio vem de esquemas de evasão fiscal e adulteração de combustíveis, cobrando uma atuação mais efetiva do Executivo estadual.

O ministro também defendeu a aprovação da PEC da Segurança, proposta em tramitação no Congresso Nacional que visa integrar ações de segurança pública entre União, estados e municípios. Para Haddad, a medida pode garantir mais coordenação e rapidez nas respostas do Estado diante do avanço do crime organizado.

As declarações foram feitas um dia após a megaoperação policial “Contenção”, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, que deixou 121 mortos — incluindo quatro agentes de segurança — e foi classificada como a ação mais letal da história do Brasil.

Após o confronto, o governador Cláudio Castro afirmou que o Rio “atua sozinho” no combate ao crime e criticou a ausência de apoio federal. O Palácio do Planalto, porém, rebateu dizendo que o governo estadual não havia solicitado participação da União na operação.

A troca de acusações entre Haddad e Castro amplia a tensão política entre os governos federal e estadual, em meio à escalada da violência e à repercussão internacional da operação mais sangrenta já registrada no país.

Limpatech