Guerra de Herdeiros Mitre: Acusações de Extorsão e Assinatura Falsa Marcadas na Disputa pelo Espólio do Médico Jorge Mitre

Espólio de Jorge Mitre se Torna Palco de Conflito Familiar com Acusações Graves entre Herdeiros

O que deveria ser a partilha de um legado se transformou em um campo de batalha judicial para os herdeiros do médico e empresário Jorge Mitre. Uma disputa acirrada opõe irmãos, mãe e filhos, com alegações que vão desde a falsificação de assinaturas em documentos cruciais até a dilapidação de patrimônio e extorsão.

No centro do furacão estão os irmãos Júlio e Juliana contra a mãe, Maria Elisa, e o irmão mais velho, Fabrício. A briga envolve os negócios hospitalares do Grupo HOSP e participações em empresas como a construtora Mitre Realty e a Elisa Agro, conforme informações divulgadas.

A complexidade da situação se agrava com a recuperação judicial da Elisa Agro, que acumulou dívidas estimadas em R$ 680 milhões. Este cenário intensifica a busca por respostas e responsabilidades dentro do espólio de Jorge Mitre, que faleceu em junho de 2022.

Guerra das Assinaturas em Documentos Milionários

Um dos pontos mais críticos da disputa judicial gira em torno de três assinaturas do patriarca Jorge Mitre em documentos relacionados à Elisa Agro. Júlio e Juliana contestam a autenticidade dessas assinaturas, que foram fundamentais para a emissão de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) no valor de R$ 293 milhões em maio de 2022.

O CRA, um título de renda fixa privado, foi emitido para financiar a Elisa Agro, que posteriormente entrou em recuperação judicial. A contestação das assinaturas, segundo Júlio e Juliana, seria parte de uma trama orquestrada por Fabrício e Maria Elisa para benefício próprio, aproveitando-se da fragilidade de Jorge Mitre, que enfrentava um câncer na época.

Laudos Divergentes e Arquivamento do Ministério Público

Um laudo do Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo apontou que uma das assinaturas questionadas, presente em um “Memorando de Entendimento” (MOU) de abril de 2022, era falsa, apresentando “significativas divergências gráficas”. No entanto, Fabrício apresentou outros dois laudos que refutavam essa conclusão, garantindo a autenticidade.

As outras duas assinaturas contestadas eram digitais, com alegações de divergência entre os locais de validação e a localização de Jorge Mitre, além de sua suposta incapacidade de analisar os documentos devido à doença. Apesar das acusações, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) arquivou o caso por duas vezes, entendendo que os elementos não eram seguros para comprovar crime, mas sim uma disputa familiar pela herança.

Novos Fronts na Guerra Familiar e Acusações Contra Juliana

A disputa não se limitou às assinaturas. Juliana enfrentou reveses judiciais, sendo excluída de duas sociedades do Grupo HOSP. Uma medida cautelar a obrigou a manter uma distância mínima de 200 metros de Fabrício, devido a acusações de perseguição e assédio.

Recentemente, Juliana foi indiciada por apropriação indevida e dilapidação de patrimônio do pai, após denúncia de Júlio, que também envolveu Maria Elisa, Fabrício e um advogado. A polícia não encontrou elementos contra os três, mas questionou repasses de R$ 700 mil para a conta de Juliana.

A defesa de Juliana alega que ela se tornou alvo de acusações após se opor a atos que visavam o enriquecimento ilícito de Maria Elisa e Fabrício, e que passou a sofrer “sufocamento financeiro e violência processual”. A defesa de Júlio optou por não se manifestar.

Limpatech