Autista e Doutora Mais Jovem do Brasil Tem Posse Barrada no IFRS Por Suposta Inaptidão à Localidade; Entenda o Caso

Doutora Autista e Mais Jovem do Brasil Tem Posse Barrada em Vaga de Professora no IFRS, Alegando Discriminação

A pesquisadora Manoella Cará Treis, de 29 anos, enfrenta uma batalha judicial após ter sua posse como professora no Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) barrada. A junta médica oficial considerou a jovem doutora, que é autista e possui uma condição autoimune, como “inapta para a localidade prevista no concurso público”.

A decisão do IFRS gerou indignação, especialmente porque Manoella já atuou como professora substituta no mesmo campus, em Veranópolis (RS), por quase dois anos. A situação levanta sérias questões sobre a interpretação das vagas para pessoas com deficiência (PcD) e a real inclusão no serviço público.

O caso, que já passou por decisões desfavoráveis em instâncias inferiores, agora tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa de Manoella argumenta que a decisão do instituto é discriminatória e que a avaliação médica foi utilizada como pretexto para excluí-la. Conforme informações divulgadas pelo Metrópoles, a situação reflete um desafio maior para pessoas com deficiência que buscam o ingresso no serviço público.

Manoella Cará Treis: Trajetória Acadêmica e a Aprovação no Concurso

Manoella Cará Treis é doutora em políticas públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Aos 24 anos, ela foi reconhecida pelo RankBrasil como a doutora mais jovem do país na época, um feito que destaca sua dedicação e capacidade acadêmica. Sua aprovação no concurso do IFRS, em uma vaga reservada para pessoas com deficiência, parecia ser a concretização de um objetivo profissional.

O Edital nº 13/2023 do IFRS previa vagas para a área de administração, e Manoella obteve a primeira colocação na lista de PcD. No entanto, a nomeação foi tornada sem efeito após a avaliação da junta médica, que, apesar de reconhecer sua aptidão para a docência, apontou uma suposta incompatibilidade com a estrutura de saúde de Veranópolis, município onde seria lotada.

O Laudo Médico e a Argumentação do IFRS

O laudo emitido em 26 de maio de 2026 pela Junta Médica Oficial do IFRS, embora reconheça a capacidade laborativa de Manoella para a docência, a declarou inapta para a localidade. A justificativa apresentada pelo instituto baseia-se na necessidade de acompanhamento médico especializado contínuo e acesso facilitado a suporte hospitalar, que, segundo a avaliação, não seriam adequadamente supridos em Veranópolis.

O IFRS afirma que a decisão levou em conta laudos de médicos que acompanham a candidata, os quais teriam apontado limitações na estrutura de saúde local. O instituto ressalta que a experiência anterior de Manoella ocorreu em um contrato temporário, e que o ingresso em cargo efetivo exige uma inspeção médica oficial mais rigorosa.

A Defesa de Manoella e a Luta na Justiça

Manoella contesta veementemente a decisão, relatando que já trabalhou por dois anos no IFRS em Veranópolis, ministrando disciplinas de administração, sem que sua condição de saúde fosse um impeditivo. Ela expressa sentir-se discriminada, acreditando que o conceito de inaptidão à localidade foi criado para excluí-la por conta de suas deficiências.

A defesa questiona também a destinação de outra vaga para professor de administração no campus de Rolante (RS), que, segundo os advogados, deveria ter sido destinada a Manoella, que era a primeira na lista de PcD para a área. A situação levou a defesa a recorrer à Justiça, com ações no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e na 1ª Vara Federal de Novo Hamburgo, que mantiveram decisões desfavoráveis. Atualmente, o caso está no Supremo Tribunal Federal (STF).

O Tratamento Médico e as Implicações da Decisão

O tratamento de Manoella envolve medicamentos imunobiológicos aplicados via canetas autoinjetáveis de uso domiciliar, com funcionamento semelhante a canetas de uso estético. Segundo a defesa, o tratamento de rotina não dependeria de um hospital de alta complexidade, e o hospital comunitário de Veranópolis oferece pronto-socorro e a aplicação de medicamentos injetáveis em ambiente ambulatorial. A pesquisadora afirma que precisa trabalhar para custear seus tratamentos e garantir qualidade de vida.

Para Manoella, o impedimento tem consequências que vão além da disputa judicial, impactando sua capacidade de sustento e sua qualidade de vida. Ela lamenta que pessoas com deficiência e doenças crônicas sejam frequentemente barradas em concursos públicos, mesmo após demonstrarem mérito e esforço para serem aprovadas.

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