Frente Evangélica pelo Estado de Direito (FEDD) se posiciona contra Flávio Bolsonaro e apoia Lula, citando riscos à democracia e retrocesso social.
Uma declaração contundente marca o cenário eleitoral: a Frente de Evangélios pelo Estado de Direito (FEDD) anunciou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), argumentando que uma possível eleição de Flávio Bolsonaro (PL) representaria um grave retrocesso social e civilizatório para o Brasil.
O grupo, que reúne evangélicos progressistas, vai na contramão de expressiva parcela das igrejas e do eleitorado evangélico, que têm demonstrado preferência pela candidatura de Flávio Bolsonaro. A FEDD acusa o candidato do PL de manipular a religião para fins políticos.
“Flávio Bolsonaro manipula a religião a favor de sua candidatura de forma escancarada, por isso decidimos tomar uma posição e apoiar a manutenção do atual governo, liderado por Lula”, afirmou o pastor Ariovaldo Ramos, um dos coordenadores da FEDD, em entrevista ao Metrópoles. Ele ressaltou que a eleição de Flávio Bolsonaro é vista como um “retrocesso civilizatório”. As informações são do Metrópoles.
Críticas às Propostas de Mudança Constitucional
A manifestação da FEDD surgiu após Flávio Bolsonaro declarar, em um evento em Goiânia, que pretende utilizar a influência da direita no Congresso para propor mudanças na Constituição Federal, visando a “redemocratização” do país. Inicialmente, o candidato não detalhou as propostas, mas posteriormente especificou que as revisões constitucionais poderiam envolver a maioridade penal e o fim da reeleição.
Essas declarações geraram temor entre os apoiadores de Lula. A FEDD, criada em 2016, busca se dissociar da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) no Congresso, defendendo pautas como democracia, direitos humanos, justiça social, proteção a minorias e a separação entre religião e política.
Estratégias para o Segundo Turno
Diante do cenário do segundo turno, a FEDD foca em conscientizar os mais de 33 milhões de brasileiros que não votaram no primeiro turno. O segundo turno das eleições está marcado para 25 de outubro, com Flávio Bolsonaro liderando com 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, seguido por Lula com 45,16%.
A campanha de Lula também tem buscado estratégias para alcançar o eleitorado evangélico. Conforme apurado pelo Metrópoles, o PT mira eleitores que votaram em Augusto Cury (Avante) no primeiro turno, embora Cury tenha declarado apoio a Flávio Bolsonaro. A campanha petista avalia que parte desses eleitores pode migrar para Lula.
Aproximação de Lula com o Eleitorado Evangélico
Lula tem feito acenos ao segmento evangélico durante a corrida presidencial, apesar da resistência que enfrenta. Em um encontro com jovens congressistas, o presidente destacou a influência das igrejas evangélicas entre a população mais pobre, associando-as à busca por emprego, melhora de vida e esperança.
Ele relatou o exemplo de pessoas que buscam nas igrejas evangélicas respostas para suas dificuldades financeiras, vendo na mensagem de prosperidade uma fonte de ânimo. Essa aproximação ocorre em um contexto de redução da diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro no eleitorado evangélico, com o petista apresentando crescimento nas pesquisas.
Crescimento de Lula entre Evangélicos
Pesquisas recentes indicam uma diminuição da vantagem de Flávio Bolsonaro entre os evangélicos. Enquanto o candidato do PL mantinha liderança antes do primeiro turno, o petista saltou de 23% para 27% nas intenções de voto entre este segmento, segundo levantamento da Quaest em 28 de setembro. No mesmo dia, a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 31% contra 50% de Flávio Bolsonaro entre evangélicos.













