Dois guardas municipais do Rio de Janeiro viraram réus por sequestro e extorsão após uma investigação do Ministério Público do Rio (MPRJ), que apontou crime premeditado cometido em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Os acusados, Igor da Rocha Maia e Jeferson Luiz Batista da Silva, estavam de serviço quando abordaram a vítima, se passando por policiais civis. Um terceiro envolvido, Deividson Vieira de Assis, também foi denunciado por ceder o local do cativeiro.
Segundo o Ministério Público, o crime foi cuidadosamente planejado. Em áudios interceptados durante a investigação, Igor relatava com naturalidade os detalhes da ação criminosa. “Vou sequestrar uns moleques que prendi, mas tirei o flagrante deles para serem soltos”, disse ele em uma das mensagens, trocadas com comparsas e até com sua namorada.
Durante o sequestro, a vítima foi mantida em cativeiro sob ameaças de morte e agressões físicas. Os criminosos exigiram o pagamento de um resgate e chegaram a negociar os valores. Em um dos áudios, Igor afirma: “Tô com o cara no carro mandando vir o dinheiro. Já falei que vou levar pra favela se não chegar o dinheiro agora.”
As investigações revelaram que os agentes abordaram dois homens suspeitos de aplicar o golpe conhecido como “Boa Noite Cinderela” em uma boate de Copacabana. Um dos suspeitos foi detido por estar foragido, enquanto o outro, liberado da delegacia, acabou sendo sequestrado pelos guardas.
Além do sequestro, os réus utilizaram distintivos falsos para simular autoridade policial. A Promotoria destacou que Igor da Rocha já havia praticado ações semelhantes anteriormente. “Ele se vangloria de já ter feito isso com torcedores organizados. Não se trata de um fato isolado”, afirmou o promotor Eduardo Pinho.
Os três acusados foram denunciados pelos crimes de cárcere privado, roubo, extorsão e extorsão mediante sequestro. Se condenados, poderão cumprir penas que somam mais de 60 anos de prisão. O MPRJ também solicitou a expulsão dos dois guardas da Guarda Municipal do Rio.
A defesa dos guardas preferiu não se manifestar. Já o advogado de Deividson alega que ele é motorista de aplicativo e nega sua participação no sequestro.














