A Polícia Civil investiga um grupo que torturou homem até a morte na Comunidade das Paineiras, em Teresópolis, após ele tentar devolver um celular perdido. O crime aconteceu em abril deste ano e foi o ponto de partida da “Operação Canadian”, deflagrada nesta quinta-feira (12), com apoio da Polícia Militar.
A vítima havia encontrado o aparelho na rua e, ao perceber que o dono estava tentando contato, comentou em um bar da comunidade que iria devolver o objeto. Esse gesto, que poderia ter acabado em uma simples boa ação, resultou em sua morte. Os criminosos do local não aceitaram a atitude e iniciaram uma sessão de espancamento.
Segundo as investigações, o homem tentou resistir, mas foi brutalmente agredido com pedaços de madeira. Ele ficou desacordado e, dois dias depois, morreu em decorrência das lesões. Além das agressões, os criminosos ainda roubaram todo o salário da vítima, que havia acabado de receber o pagamento.
Agentes da 110ª DP (Teresópolis) informaram que o grupo criminoso tentou se justificar para familiares da vítima, alegando que o homem havia roubado o celular e precisava servir como exemplo para outros moradores. No entanto, a investigação desmentiu essa versão.
Na operação desta quinta-feira, dois adultos foram presos e também estão sendo cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão contra adolescentes envolvidos no crime. O nome da ação, “Canadian”, faz referência ao modelo de atuação investigativa baseado em cooperação integrada entre forças policiais.
Conforme os agentes, a Comunidade das Paineiras tem sido palco de sucessivos episódios de violência, em que regras impostas por grupos criminosos resultam em punições cruéis e arbitrárias. O caso do homem assassinado por tentar devolver um celular escancara o clima de terror que ainda existe em algumas regiões dominadas pelo tráfico.
A vítima, segundo relatos de conhecidos, era um trabalhador honesto, sem envolvimento com o crime. Ele estava voltando para casa quando encontrou o aparelho e, inocentemente, acreditou que devolver o objeto seria o correto. O que ele não esperava era ser vigiado e punido com tamanha brutalidade.
A Delegacia de Teresópolis destacou que essa investigação é prioridade, por se tratar de um crime bárbaro que gerou comoção entre os moradores. “Queremos dar uma resposta clara à sociedade: a justiça será feita e nenhum tipo de tribunal paralelo será tolerado”, afirmou um dos delegados responsáveis pelo caso.
Além das prisões já realizadas, a operação visa identificar outras pessoas que participaram do crime, inclusive quem autorizou a violência. O inquérito também apura se houve omissão de socorro por parte de moradores que presenciaram o ataque e não acionaram a polícia.
A ação teve reforço do 30º BPM (Teresópolis) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE). Moradores relataram intensa movimentação policial nas primeiras horas da manhã, com revistas em becos e incursões em pontos de difícil acesso.
A Prefeitura de Teresópolis informou que acompanha o caso e, por meio da Secretaria de Assistência Social, ofereceu apoio psicológico à família da vítima. O Ministério Público também foi acionado para monitorar os desdobramentos da operação.
A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente também participa das investigações, já que há indícios da participação de menores de idade. As autoridades reforçam que qualquer informação sobre os suspeitos pode ser repassada anonimamente pelo Disque-Denúncia (2253-1177).
Casos como esse ressaltam a importância do enfrentamento direto ao crime organizado nas comunidades. A população de Teresópolis clama por justiça e mais segurança diante da brutalidade com que o jovem foi assassinado.














