Grupo Especial com 15 escolas depende de aprovação das agremiações, afirma Liesa

Sambódromo do Rio de Janeiro

Grupo Especial com 15 escolas é uma possibilidade em discussão no carnaval do Rio, mas a mudança ainda depende da aprovação das próprias agremiações. A informação foi reforçada pelo presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David.

Segundo ele, qualquer alteração no regulamento do carnaval precisa passar por votação em plenária, com a participação das atuais 12 escolas do Grupo Especial. A ampliação para 15, portanto, só poderá ser oficializada caso haja concordância entre as agremiações.

“Quem altera o regulamento do carnaval são as próprias escolas. É uma votação em que as 12 escolas participam e podem fazer qualquer tipo de alteração que considerem válida. Essa mudança para 15 escolas é, portanto, uma alteração de regulamento”, afirmou Gabriel David em declaração ao g1.

Apesar da possibilidade de manter o modelo atual de três dias de desfiles, com cinco escolas por noite, a proposta ainda enfrenta desafios importantes. Antes de ser levada à votação, é necessário discutir pontos fundamentais com o poder público.

Entre as principais questões está o valor da subvenção destinada às escolas de samba. No último carnaval, cada agremiação recebeu cerca de R$ 14 milhões em repasses públicos, valor considerado essencial para garantir o nível de qualidade dos desfiles.

De acordo com o presidente da Liesa, a ampliação do número de escolas exige aumento proporcional desses recursos. Caso contrário, existe o risco de comprometer o padrão das apresentações.

“É necessário um aumento da subvenção da prefeitura para que os repasses acompanhem o que a liga vem garantindo às escolas nos últimos anos e para que a qualidade dos desfiles continue evoluindo. Não pode acontecer de termos um ano em que os 15 desfiles sejam piores do que os 12 do ano anterior por falta de recursos”, destacou.

Outro ponto levantado diz respeito ao calendário de repasses. Segundo Gabriel David, os valores precisam ser liberados com antecedência, permitindo que as escolas planejem melhor seus projetos. Pagamentos próximos ao carnaval, como já ocorreu em anos anteriores, dificultam a organização e impactam diretamente na execução dos desfiles.

Além da questão financeira, a infraestrutura também aparece como um dos principais entraves. A Cidade do Samba, localizada na Zona Portuária do Rio, atualmente não possui capacidade para abrigar os barracões de 15 escolas do Grupo Especial.

A ampliação, portanto, exigiria adaptações ou até mesmo a criação de novos espaços para atender à demanda de produção das alegorias e fantasias.

A proposta ganhou força após manifestações favoráveis do poder público. O atual prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, e o ex-prefeito Eduardo Paes já sinalizaram apoio à mudança, indicando a possibilidade de um novo formato com cinco escolas se apresentando em cada dia de desfile.

Durante discurso, Cavaliere chegou a afirmar que o carnaval carioca poderá passar por essa transformação, ampliando o número de agremiações no principal grupo da folia.

Mesmo com o apoio político, a decisão final segue nas mãos das escolas de samba, que terão a palavra definitiva sobre o futuro do Grupo Especial.

E enquanto o debate avança, cresce também a expectativa sobre como essa possível mudança pode impactar o maior espetáculo da terra nos próximos anos.

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