Greve CPTM: Assembleia Decide Retomada das Atividades Após Acordo Sobre Empregos em Linhas Concedidas

Greve na CPTM termina após assembleia definir retomada das atividades e compromisso do governo

O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB) encerrou a greve que afetava as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM nesta quarta-feira (5/8). A decisão ocorreu em assembleia extraordinária, após representantes do governo de São Paulo se comprometerem a enviar à Assembleia Legislativa um projeto de lei que assegure a manutenção dos empregos nas linhas concedidas à iniciativa privada.

Com a deliberação, os ferroviários retornaram imediatamente ao trabalho, e a operação nas três linhas foi regularizada por volta das 20h. A paralisação, que durou dois dias, causou transtornos significativos para os passageiros, com filas e superlotação em estações de metrô e trem, especialmente na zona leste da capital paulista.

A greve era um protesto contra a concessão das linhas 11, 12 e 13 à iniciativa privada e as falhas operacionais subsequentes. Um incêndio em um trem da Linha 12-Safira em 23 de julho intensificou o descontentamento da categoria. Conforme informações divulgadas pelo sindicato, 131 dos 157 votantes na assembleia optaram pelo retorno ao trabalho, enquanto 26 votaram contra. A categoria permanece em estado de greve, podendo paralisar as atividades novamente caso o governo estadual não cumpra os acordos.

Compromisso do governo e retorno imediato das operações

A decisão de encerrar a greve foi tomada após uma reunião com representantes do governo de São Paulo no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2). O governo se comprometeu a apresentar à Assembleia Legislativa um projeto de lei para garantir a manutenção dos empregos nas linhas concedidas. O governador Tarcísio de Freitas havia condicionado o envio do projeto à retomada das operações pela categoria até o final da tarde de quarta-feira.

O retorno ao trabalho foi imediato, e o painel informativo da CPTM indicava a normalização da operação nas linhas 11, 12 e 13 por volta das 20h. A greve havia iniciado à meia-noite de terça-feira (4/8), após aprovação em assembleia na segunda (3/8). As reivindicações incluíam a reestatização das linhas, a garantia de todos os empregos na CPTM e a aprovação do Projeto de Lei nº 730/2025, que prevê a absorção de funcionários por órgãos públicos estaduais.

Impactos da paralisação e medidas de contingência

A paralisação afetou quase 1 milhão de passageiros no primeiro dia. Estações de metrô e trem registraram maior lotação e filas, com a zona leste sendo a região mais atingida. Para mitigar os impactos, a prefeitura suspendeu o rodízio de veículos na capital, e o governo de São Paulo acionou ônibus da operação Paese para atender os passageiros nas estações mais afetadas. O Metrô antecipou a abertura de algumas linhas e adicionou composições para reduzir a superlotação.

A Polícia Militar aumentou o efetivo no entorno das estações afetadas pela greve, especialmente na zona leste. Caso a greve tivesse continuidade, a Justiça do Trabalho já havia determinado que 90% dos funcionários deveriam trabalhar nos horários de pico e 70% nos demais, com multa diária de R$ 5 milhões em caso de descumprimento.

Próximos passos e outras reivindicações

Os ferroviários da CPTM também decidiram que não ensinarão mais suas funções para a equipe da nova concessionária. Uma nova reunião com o governo estadual está marcada para 19 de agosto, onde um novo acordo coletivo será assinado para ratificar os termos propostos e aprovados na assembleia. Uma das exigências da categoria é que o acordo também contemple os funcionários da Linha 10-Turquesa, que ainda está sob gestão da CPTM.

A Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) havia determinado que a CPTM retomasse, por até três meses, a operação junto à Trivia Trens, após um trem da Linha 12-Safira pegar fogo em 23 de julho. A categoria permanece em estado de greve, com a possibilidade de novas paralisações caso os acordos não sejam cumpridos.

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