Golpes no ressarcimento do Banco Master se multiplicam após liquidação

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Os golpes no ressarcimento do Banco Master se multiplicam após a liquidação da instituição financeira decretada pelo Banco Central, deixando investidores vulneráveis em meio à espera pela garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Com depósitos e aplicações congeladas, muitos clientes passaram a ser alvo de anúncios e ofertas fraudulentas que prometem “liquidez imediata” ou antecipação do pagamento, aproveitando-se da insegurança gerada pelo processo. As informações são da Agência Brasil.

O FGC, responsável por garantir até R$ 250 mil por pessoa em investimentos cobertos, tem reiterado que não autoriza intermediários, não cobra taxas e não oferece qualquer mecanismo para acelerar o ressarcimento. A entidade reforça que qualquer oferta desse tipo configura golpe. Especialistas também alertam que a garantia é automática, e a comunicação legítima ocorre exclusivamente pelo aplicativo oficial do FGC, único canal de atendimento.

Fernando Falchi, gerente de Engenharia de Segurança da Check Point Software Brasil, lembra que criminosos se aproveitam da pressa dos investidores. “O cibercriminoso sempre usa a pressa como arma. A verificação, feita no canal oficial, é o melhor antídoto para golpes digitais”, afirma.

No vácuo de informações e sem prazo exato para o início dos pagamentos, proliferaram golpes que se passam por empresas especializadas, consultores ou advogados capazes de antecipar valores. As fraudes se dividem principalmente em dois grupos: roubo de dados e empréstimos predatórios. Golpistas utilizam páginas falsas que simulam o site ou app do FGC, enviam links maliciosos por redes sociais e WhatsApp, fingem ser atendentes que pedem códigos ou senhas e até criam aplicativos fraudulentos para instalar malwares. Um único clique pode permitir o acesso a senhas, monitoramento de dispositivos e até invasão de contas bancárias.

Outro tipo de fraude envolve supostos “adiantamentos”, que na verdade escondem operações de crédito com juros abusivos. O investidor, acreditando estar antecipando a garantia do FGC, acaba firmando empréstimos que podem consumir grande parte do valor a receber.

Fundado por Daniel Vorcaro, o Banco Master enfrentava dificuldades desde o início do ano, com uma carteira de crédito considerada de risco. Conhecido pelos CDBs que rendiam até 140% do CDI, o banco foi liquidado após sucessivos problemas e investigações que resultaram inclusive na prisão de executivos. Com o encerramento das atividades, investidores com valores até o limite garantido passaram a depender exclusivamente do FGC, um processo que envolve algumas etapas formais e que não ocorre imediatamente.

O procedimento correto inclui cadastro no aplicativo do FGC, aguardar o envio da lista de credores pelo Banco Central — o que costuma levar cerca de 30 dias — e, quando liberado, habilitar o pedido de ressarcimento. A etapa final envolve biometria, envio de documentos, assinatura digital e pagamento em até dois dias úteis após a conclusão. Qualquer oferta que fuja a esse modelo é considerada irregular.

Para evitar golpes, especialistas orientam usar apenas o app e o site oficial do FGC, nunca fornecer dados ou códigos a terceiros, desconfiar de promessas de facilitação, verificar links e URLs, manter autenticação em dois fatores e antivírus ativo, além de sempre checar informações oficiais antes de agir — especialmente diante de mensagens que criem sensação de urgência.

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